Leucemia: maioria das mutações estão associadas ao envelhecimento

Estudo publicado na revista “Cell”

25 julho 2012
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A maioria das centenas de mutações existentes aquando do diagnóstico da leucemia resulta do processo de envelhecimento e não estão associadas ao cancro. O estudo publicado na revista “Cell” dá conta que mesmo nos indivíduos saudáveis, as células estaminais do sangue acumulam, ao longo da vida, novas mutações.
 

Após terem sequenciado os genomas de 200 pacientes com leucemia mieloide aguda, para tentar entender quais as mutações que estavam na base da doença, os investigadores da Washington University School of Medicine, nos EUA verificaram que, invariavelmente, as células destes indivíduos apresentavam centenas de mutações. Este achado intrigou  os cientistas pois desde há muito que acreditavam que todas as mutações associadas às células tumorais eram determinantes para progressão da doença. “Mas sabíamos que nem todas estas mutações poderiam ser importantes”, revelou em comunicado de imprensa, o coautor do estudo, Daniel Link.
 

De forma a investigar a origem destas mutações, os investigadores liderados por Richard K. Wilson, isolaram células estaminais de indivíduos saudáveis de diferentes idades. Os mais novos eram recém-nascidos e os mais velhos tinham 70 anos. Foi constatado que cada célula estaminal adquire cerca de 10 mutações por ano. Assim, por volta dos 50 anos um indivíduo tem aproximadamente 500 mutações nestas células.
 

“As mutações tendem a se desenvolver à medida que as células envelhecem, mas não tínhamos ideia de quantas e com que frequência estas mutações se desenvolviam”, explicou Daniel Link. “Estas mutações ocorrem de uma forma aleatória durante a divisão celular e não estão associadas ao cancro. Apesar do nosso ADN tolerar uma grande quantidade de mutações sem qualquer consequência negativa, perante um evento indutor do cancro numa destas células, é capturado toda a história genética da célula, incluindo mutações precoces, que favorecem o desenvolvimento da doença”.
 

Após terem sequenciado as células estaminais provenientes de 24 pacientes com leucemia mieloide aguda e de indivíduos saudáveis, os investigadores verificaram de forma surpreendente que o número de mutações total variava com a idade e não com a presença da leucemia. Deste modo, um indivíduo com 40 anos, saudável tem o mesmo número de mutações nas células estaminais que um paciente com leucemia.
 

Este estudo poderá assim explicar o motivo pelo qual a leucemia é mais frequente em pessoas mais velhas. Os investigadores acrescentam ainda que apesar destes resultados não provarem que este modelo possa ser aplicado a outros cancros, este facto deveria ser investigado. Este modelo poderia explicar o número elevado de mutações encontrado no cancro da mama, pulmão e noutros tipos de cancro. “A ideia de que a maioria das mutações ocorrem antes de as células se tornarem cancerígenas é completamente inovador e deveria ser explorado”, concluem os autores do estudo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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