Leucemia linfoblástica aguda pediátrica: quimioterapia origina resistência

Estudo publicado na revista “Blood”

12 novembro 2019
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Um estudo do Hospital Pediátrico de Investigação St. Jude descobriu mutações genéticas induzidas pelo tratamento em crianças com leucemia linfoblástica aguda (LLA) que causam resistência a fármacos de tratamento.
 
A co-autora do estudo, Jinghui Zhang, explica que conseguiram perceber a evolução da leucemia linfoblástica pediátrica e daí sugerir que o “tratamento com quimioterapia, em particular as tiopurinas, causam mutações que levam a resistência a fármacos nos pacientes”.
 
A investigação teve por base 103 jovens pacientes que recidivaram. As análises mostraram que cerca de 20% tinha mutações relacionadas com o tratamento na altura da recidiva, algumas dessas mutações associadas a resistência a fármacos.
 
“As assinaturas de mutações presentes são específicas e relacionadas com a terapia e só estão presentes no genoma de doentes com LLA que recidivaram, não no genoma de outros cancros pediátricos ou de adultos” revela Zhang.
 
Ao sequenciar o genoma das células da leucemia do diagnóstico e da recidiva, assim como do ADN normal, foram identificadas 12 mutações genéticas envolvidas na resposta aos fármacos, incluindo o gene FPGS, ligado à recidiva.
 
Foi ainda observado que uma das mutações era causada pelas tiopurinas. Depois de uma investigação mais profunda, concluiu-se que estas mutações levavam à resistência a vários fármacos.
 
A maioria dos pacientes observados recidivou 9 a 36 meses depois do diagnóstico, mas antes do fim do tratamento. Este grupo era o que tinha mais mutações das 12 relacionadas com resistência aos fármacos, especialmente comparando com os doentes que recidivaram mais cedo.
 
Os investigadores sugerem que a recidiva tardia acontece quando as células tumorais parcialmente resistentes a fármacos já estão presentes no diagnóstico e adquirem mutações de resistência durante o tratamento. Estas células começam então a dividir-se e iniciam a recidiva.
 
A equipa realça a necessidade de terapias menos tóxicas a abordagens mais precisas e individualizadas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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