Leucemia: identificado “calcanhar de Aquiles” da doença

Estudo publicado na revista “Cancer Discovery”

22 setembro 2016
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Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde do Porto (i3S) descobriram o “ponto fraco” da leucemia aguda de linfócitos T, dá conta um estudo publicado na revista “Cancer Discovery”.
 

As leucemias agudas de linfócitos T são doenças malignas que afetam maioritariamente crianças e adolescentes, mas também adultos. A maioria dos casos infantis são curados por quimioterapia, mas uma percentagem significativa destes e a maioria dos pacientes adultos não responde ao tratamento, sofre recidiva e, eventualmente, sucumbe à doença.
 

Esta nova descoberta, realizada com a colaboração de equipas de investigação francesas, permite que, quando este tipo de leucemia não responde aos tratamentos convencionais, "possa ser atingida por esta nova terapia, com anticorpo monoclonal, de forma complementar", explicou à agência Lusa Nuno Rodrigues dos Santos.
 

O estudo focou-se no recetor TCR (proteína existente na membrana de células), que se encontra em todos os linfócitos T e é essencial para estes reconhecerem organismos invasores e desencadear uma resposta imunitária.
 

Os investigadores verificaram que “a estimulação do TCR através de um antigénio ou da inoculação de um anticorpo específico curava ou prolongava o tempo de vida dos murganhos (ratinhos) com leucemia”.
 

“As experiências nos ratinhos foram bastante convincentes, tanto em leucemias no ratinho como em leucemias humanas transplantadas no animal funcionaram de forma bastante eficaz. Em todos os casos há uma regressão e alguns ficaram curados”, disse o investigador.
 

Nuno Rodrigues dos Santos referiu que esta descoberta “poderá ser útil para certo tipo de leucemias, nomeadamente para grupos de doentes que não respondem a certas terapias convencionais, como a quimioterapia”.
 

Numa situação normal, quando o TCR é estimulado, o linfócito T reage multiplicando-se, iniciando a resposta imunológica. No entanto, verificou-se que “quando se estimula o TCR num linfócito leucémico a resposta é diferente, em vez de se multiplicarem, os linfócitos T estimulados morrem”.
 

Os investigadores começaram por estudar ratinhos de laboratório com leucemia, tendo assim descoberto que “a estimulação do TCR, seja através de um antigénio, seja inoculando um anticorpo monoclonal específico, curava ou prolongava” o tempo de vida dos animais.
“Verificámos que a estimulação do TCR, através da administração de um anticorpo específico, levava à morte de células leucémicas humanas em experiências de cultura celular e à regressão da leucemia em ratinhos imunodeficientes transplantados com leucemias humanas”, disse.
 

Para o investigador, “o interessante deste trabalho foi precisamente mostrar que o recetor TCR tinha uma função inesperada”.
 

“Os investigadores tinham indícios de que a estimulação deste recetor até favorecia a leucemia, ou seja, ela proliferava ainda mais. Mas não é o caso, nós demonstramos aqui que tem uma função precisamente antagónica. O aspeto mais inovador foi determinarmos que o TCR é o chamado ‘ponto fraco’ ou o ‘Calcanhar de Aquiles’ desta leucemia e que pode ser explorado como terapia”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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