Leucemia: descobertas podem abrir caminho a novos tratamentos

Estudo publicado no “Nature Genetics”

11 agosto 2015
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A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é um tipo de cancro agressivo que se desenvolve normalmente entre os dois e três anos de vida. Este tipo de leucemia apresenta-se sob várias formas, resultantes de alterações genéticas. Cientistas suíços e alemães revelaram ter descodificado o genoma e transcriptoma de um subtipo incurável de LLA.
 
Já se sabia que no subtipo de LLA estudado os genes TCF3 e HLF se encontravam fundidos de forma aberrante, o que torna esta leucemia resistente aos tratamentos disponíveis atualmente. Agora, os cientistas liderados por Jean-Pierre Bourquin, do Hospital Pediátrico da Universidade de Zurique, na Suíça, e por Martin Stanulla, da Escola de Medicina de Hannover, na Alemanha, descobriram que outras áreas do ADN apresentam alterações para além da fusão aberrante já conhecida de dois genes. Além disso, a investigação revelou ainda alterações na atividade de genes-chave.
 
As células de LLA estudadas apresentaram modificações nos genes que controlam o desenvolvimento e promovem o crescimento de células sanguíneas altamente especializadas e responsáveis pelas defesas, os denominados linfócitos-B. A interação entre a fusão patogénica do TCF3 com o HLF e as alterações identificadas desencadeia uma reprogramação das células da leucemia numa fase de desenvolvimento muito precoce, semelhante a células estaminais, que não é visível no exterior das células. 
 
“Esta forma de leucemia pode ser descrita como uma espécie de ‘lobo com pele de ovelha’”, refere Martin Stanulla, em comunicado de imprensa. 
 
Estes achados foram obtidos através da “leitura” das moléculas mensageiras sintetizadas nas células tumorais, “uma técnica poderosa que permite não só um entendimento mais aprofundado do programa genético que especifica o comportamento das células tumorais, mas também dos pontos de entrada de terapêutica”, esclarece Marie-Laure Yaspo, coautora do estudo.
 
Os cientistas desenvolveram um modelo de ratinho humanizado de forma a permitir explorar leucemias em condições semelhantes àquelas que se encontram nos humanos. As células de leucemia humana em ratinhos retiveram as principais alterações genéticas, o que permitiu examinar novas formas de terapêutica.
 
Em Zurique foram testadas centenas de fármacos inovadores, sendo que alguns dos quais – ainda em desenvolvimento clínico – apresentaram efeitos muito positivos. O Venetoclax, nomeadamente, foi um desses fármacos, que teve como alvo a proteína BCL2, conhecida por ser importante na morte programada das células e que já demonstrou bons resultados noutros tipos de cancro.
 
Nos modelos de ratinho, o Venetoclax induziu a remissão da doença, seguida de fases prolongadas sem sinais da mesma, quando administrado em conjunto com a quimioterapia convencional para a leucemia.
 
“O nosso trabalho demonstra o grande potencial de abordagens de investigação coordenada e interdisciplinar com a última tecnologia para a investigação do cancro”, afirma Stanulla.
 
Os cientistas consideram ser necessário realizar mais estudos para verificar de que forma os resultados desta investigação poderão ser usados para fins terapêuticos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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