Leucemia afecta 300 portugueses por ano

Serviços para o tratamento da doença não têm condições adequadas

25 novembro 2002
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Cerca de 300 portugueses são afectados todos os anos pela leucemia mas os serviços especializados no tratamento da doença que existem no país não oferecem as condições que os profissionais da saúde consideram adequadas. Esta foi uma das informações dadas na conferência de imprensa sobre leucemia organizada na sexta-feira, em Lisboa, pela Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) e Sociedade Portuguesa de Hematologia.
 

 

A APCL vai iniciar, a partir da próxima semana, uma campanha de sensibilização dos portugueses para a leucemia e de desmistificação da doença. O objectivo é sensibilizar as pessoas para a necessidade de doar células da medula óssea, um pequeno contributo que pode salvar uma vida.
 

 

O registo nacional conta apenas com cerca de 1500 doadores, quando, na opinião do hematologista do Instituto Português de Oncologia e presidente da APCL, deveria rondar entre 60 e 80 mil, de forma a evitar que os doentes sejam prejudicados por não haver dadores compatíveis, situação algo comum em Portugal.
 

 

O hematologista criticou as condições de «hotelaria de Casal Ventoso» em que os médicos do IPO são obrigados a trabalhar, referindo que existem lacunas a nível de estruturas físicas (o IPO está à espera da construção de novas instalações há 15 anos) e humanas.
 

 

«Não é aceitável em 2002 continuarmos a construir estádios de futebol e continuar a internar doentes com este tipo de doença em enfermarias com cinco pessoas e uma única casa-de-banho», declarou aquele responsável.
 

 

A leucemia é uma forma particular de cancro originado na medula óssea devido à presença de células malignas no sangue e que causa um terrível impacto psicológico e físico nos doentes, em particular devido ao tratamento agressivo a que são sujeitos.
 

 

Ao falar da sua própria experiência pessoal com a leucemia, diagnosticada em 1998, o advogado e ex-líder parlamentar do PSD, Duarte Lima, presente na conferência de imprensa, declarou que «o primeiro impacto foi de pânico. Ninguém está preparado para morrer aos 42 anos. O mais importante é adoptar uma atitude positiva».
 

 

Para ser doador, é necessário fazer um registo no Centro de Luso Transplante, responder a um inquérito acerca da história médica pessoal e tirar um pouco de sangue para fazer as análises que determinam o tipo de células, para que depois se possam utilizar para encontrar compatibilidades entre doadores.
 

 

Só quando for requisitado pelo centro, ou seja, quando houver necessidade de determinado tipo de células, é que o doador faz a doação real, através de uma colheita de sangue, que pode levar de três a cinco horas, e que é depois injectado do receptor para permitir o desenvolvimento de uma medula saudável.
 

 

Fonte: Diário Digital
 

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