Leucemia: a cura pode estar no sangue de cordão umbilical

A esperança vem de um trabalho realizado em Singapura

25 fevereiro 2002
  |  Partilhar:

Um grupo de médicos do Hospital Geral de Singapura desenvolveu um método de tratamento da leucemia que já começou a ser aplicado em doentes com este problema. Este novo método de tratamento consiste no transplante de sangue recolhido a partir do cordão umbilical. Os investigadores verificaram a eficácia deste método quando constataram que as células cancerosas dos doentes eram substituídas com sucesso sem comprometer a integridade das células sanguíneas saudáveis.
 

 

Nos três últimos meses a equipa de investigadores, chefiada por Patrick Tan, transplantou com sucesso o sangue de cordões umbilicais para dois pacientes adultos. Ao contrário das técnicas disponíveis e utilizadas até ao momento que destroem todas as células do sangue dos receptores deixando o caminho livre às células transplantadas, com o transplante de células do cordão umbilical apenas as células cancerosas são eliminadas e, portanto, as células saudáveis mantêm-se intocadas.
 

 

O coordenador deste trabalho explica este processo da seguinte forma: «o sangue do cordão irá crescer vagarosamente e substituir as células cancerosas em poucas semanas e, em alguns casos, pode-se obter a substituição total entre 90 e 100 dias.» Na mesma entrevista, à agência Reuters, o cientista avança que «se, de facto, se conseguir remover cem por cento das células cancerosas, a cura é possível.»
 

 

Apesar desta esperança para todos os doentes de leucemia, são necessários três anos para que um doente com leucemia possa ser considerado totalmente curado da doença.
 

 

A grande esperança que este novo tratamento traz é o facto de se conseguirem manter as células saudáveis do próprio doente. Este facto possibilita uma reacção pronta e imediata do próprio organismo do paciente no caso do transplante não ter sucesso. Actualmente, quando o transplante de medula óssea não é bem sucedido, o organismo do paciente não dispõe de células próprias para reagirem, pois o transplante é precedido de um pré-tratamento por quimioterapia.
 

 

Como explica Tan: «apesar do transplante de sangue do cordão poder falhar, o doente não morre – digamos que existe uma “rede de segurança”, ao contrário do método mieloablativo (remoção da medula óssea) em que não existe qualquer “rede de segurança”. Com o método mieloablativo, se o transplante de medula óssea falhar, o paciente morre.»
 

 

Além de proporcionar a tal «rede de segurança» referida por Tan, o transplante de sangue do cordão umbilical também reduz os riscos da incompatibilidade entre o doador e o receptor, uma das maiores preocupações dos médicos quando têm de realizar tratamentos que envolvem técnicas de transplantação.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.