Lesões hepáticas induzidas por fármacos poderão ser travadas

Estudo publicado na “Nature Biotechnology”

19 janeiro 2012
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Investigadores americanos desenvolveram uma nova estratégia para proteger o fígado das lesões induzidas por fármacos, dá conta um estudo publicado na revista “Nature Biotechnology”.

 

Elaborar, aprovar e prescrever um medicamento exige que os benefícios terapêuticos superem os potenciais efeitos secundários. A toxicidade hepática limita o desenvolvimento de muitos compostos terapêuticos sendo um grande desafio para a medicina e para a indústria farmacêutica. Os danos hepáticos induzidos por fármacos são a causa mais comum de insuficiência hepática aguda nos EUA, e é também a razão mais frequente do abandono precoce de certos tratamentos.

 

As junções gap são canais que ligam as células vizinhas e permitem a comunicação direta intercelular entre várias células. Estudos recentes realizados pelos mesmos investigadores do Massachusetts General Hospital, nos EUA, demonstraram que os conjuntos destas junções intercelulares difundem sinais imunes das células do fígado danificadas para as células vizinhas saudáveis, amplificando a inflamação e os danos do fígado.

 

Neste estudo, os investigadores liderados por Suraj Patel tinham como objetivo limitar as lesões induzidas por fármacos através da inibição deste tipo de junções.

 

Os investigadores começaram por administrar fármacos tóxicos para o fígado, a ratinhos mutados geneticamente para não apresentarem este tipo de junções. O estudo constatou que, em comparação com os ratinhos do grupo de controlo, os que não apresentavam as junções gap estavam mais protegidos contra as lesões do fígado, inflamação e morte causada pela administração de fármacos hepatotóxicos.

 

Os investigadores identificaram uma molécula capaz de inibir este tipo de junções, que, quando administrada com ou após os fármacos hepatotóxicos, protegiam o fígado dos animais contra os danos. Experiências realizadas em culturas de células indicaram que o bloqueio destas junções limitava a difusão, através das células do fígado danificadas, dos radicais livres e stress oxidativo, sugerindo assim um possível mecanismo para a proteção observada.

 

“Os nossos resultados sugerem que esta terapia pode ser uma estratégia clinicamente viável para tratar os pacientes com lesões no fígado induzidas por fármacos”, revelou Suraj Patel. “Este trabalho também poderá alterar a forma como os fármacos são desenvolvidos e formulados, podendo assim melhorar a segurança dos fármacos com uma redução do risco de toxicidade hepática”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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