Lésbicas surdas decidem ter filho com a mesma deficiência
08 abril 2002
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Um casal de lésbicas tem vido a gerar polémica nos Estados Unidos ao decidir ter um bebé surdo. Sharon Duchesneau e Candy McCullough são surdas de nascimento.
 

 

Quando decidiram ter uma criança para criar em conjunto recorreram a diversos bancos de esperma pedindo que a fertilização de uma delas fosse feita com material doado por um homem que sofra da mesma incapacidade.
 

 

O problema começou precisamente nesse primeiro passo. Todas as clínicas rejeitaram o pedido. Sharon e Candy decidiram usar o sémen de um amigo que é totalmente surdo e em cuja família a deficiência se manifesta já há cinco gerações.
 

 

O sémen foi usado para fertilizar Sharon, que deu à luz um bebé, Gauvin McCullough. Gavin agora tem quatro meses de idade e muito pouca audição em apenas um ouvido. Em declarações à imprensa, as duas mães disseram que o bebé vai poder escolher, quando for mais velho, se quer ou não usar um aparelho auditivo.
 

 

A notícia é relatada pelo site da BBC e dá conta da polémica em torno da questão. A decisão do casal tem vindo a ser duramente criticada nos Estados Unidos. Para Peter Garrett, director da Organização Não Governamental Life, "privar o bebé de uma faculdade natural é um comportamento anti- ético".
 

 

A opção do casal também foi repudiada por Peter Sprigg, do Conselho de Estudos para o Planeamento Familiar dos Estados Unidos. "Quando pensamos que já ouvimos de tudo, vem uma história que vai além das fronteiras do imaginável".
 

Mas o porta-voz da Associação Britânica de Surdos, Stephen Rooney, não critica a decisão do casal. Para o responsável o fulcro da questão não é se as pessoas estão a tentar conceber bebés surdos. "O verdadeiro tema é como a sociedade hoje nega às crianças surdas os mesmos direitos, responsabilidades, oportunidades e qualidade de vida das outras pessoas".
 

 

Enquanto a polémica não pára, Sharon e Candy dizem-se radiantes com o bebé. "Um bebé que tem a audição perfeita seria uma bênção", disse Sharon antes do nascimento de Gauvin. "Mas bebé surdo seria uma bênção especial."
 

 

Sharon e Candy já têm uma filha, Jennifer de cinco anos, gerada com o sémen do mesmo dador e que só consegue comunicar-se por meio de linguagem gestual.
 

As duas fazem parte de um grupo em expansão nos Estados Unidos que identifica a surdez não como uma deficiência, mas como uma identidade cultural.
 

 

Muitos desses militantes opõem-se à realização de cirurgias para que as pessoas surdas passem a ouvir.
 

 

Sharon e Candy trabalham como terapeutas na cidade de Bethesda, em Maryland, onde atendem pessoas que sofrem de surdez e de problemas psíquicos.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

Artigo original: BBC
 

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