Lesão hepática por quimioterapia aumenta complicações pós-operatórias

Estudo da Universidade de Coimbra

24 março 2016
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A lesão mais frequentemente provocada pela quimioterapia no tecido hepático é responsável pelo aumento do risco de complicações pós-operatórias, impedindo a regeneração do fígado, embora nem todos os doentes desenvolvam esta lesão, concluiu um estudo da Universidade de Coimbra (UC).
 

Esta descoberta surgiu no âmbito do primeiro estudo clínico realizado em Portugal sobre “as consequências da quimioterapia sobre o fígado dos doentes com metástases de cancro colorretal e o seu impacto sobre as complicações pós-operatórias”, referiu a UC em comunicado, ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

O estudo pretende detetar o motivo pelo qual a quimioterapia causa lesões no fígado de doentes com metástases de cancro colorretal, impedindo o sucesso da cirurgia hepática, a razão pela qual a quimioterapia é responsável pela principal lesão e qual é o padrão de incidência das lesões.
 

As metástases são “uma das principais causas de morte por cancro do cólon, surgindo em cerca de 60% dos casos, sendo que o fígado é um dos órgãos mais afetados pela disseminação (metastização) deste tipo de tumor”, referiu a UC.
 

A cura pode passar pela ressecção cirúrgica, ou seja, pela remoção de parte do órgão, mas só 20% dos pacientes são candidatos a cirurgia desde o início. Os restantes doentes têm de efetuar quimioterapia, criando “o grande problema”.
 

Apesar de a quimioterapia aumentar bastante a possibilidade de cirurgia, esta pode causar lesões graves no tecido hepático, desencadeando um conjunto de complicações pós-operatórias, como insuficiência hepática.
 

Os investigadores verificaram que a lesão mais frequentemente provocada pela quimioterapia no tecido hepático, síndrome de obstrução sinusoidal (SOS), é responsável pelo aumento do risco de complicações pós-operatórias, impedindo a regeneração do fígado”, embora nem todos os doentes tenham desenvolvido a lesão, referiu o coordenador do estudo, Henrique Alexandrino.
 

A chave para resolver o problema “poderá estar na mitocôndria, organelo celular responsável pela produção de energia. As mitocôndrias são fundamentais para a regeneração do fígado, mas podem estar a ser prejudicadas pela lesão do tipo SOS, impedindo assim a adequada recuperação do fígado e do doente”, acrescentou o cirurgião e investigador da Faculdade e Medicina da UC.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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