Leptinas e endocanabinóides: reguladores do apetite

Vias alternativas de controlo de peso

12 abril 2001
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Há poucos anos, descobriu-se que o organismo tinha substâncias canabinóides endógenas em circulação, semelhantes às encontradas na marijuana ou cannabis. Agora, um novo estudo conduzido pela equipa de cientistas norte-americanos do Dr. George Kunos, descobriu uma relação entre estas substâncias e a regulação do apetite.
 

 

Esta descoberta vem de encontro ao facto descrito por fumadores de marijuana, de que esta provoca fome após o seu consumo. Isto levou muitos médicos a prescreverem cannabis a doentes com HIV para tentarem evitar a perda de peso nestes doentes.
 

 

Os cientistas manipularam geneticamente ratos de forma a que nestes faltassem os receptores dos canabinóides naturais. Descobriram então que os ratos modificados geneticamente, nos quais os canabinóides não tinham efeito, comiam menos após jejuar do que ratos não modificados.
 

 

Descobriram também uma inter-relação entre estas substâncias e a leptina, uma hormona produzida pelo tecido adiposo e que suprime o apetite. Esta hormona migra para o hipotálamo e causa a diminuição do nível de canabinóides, segundo observações de outros cientistas.
 

 

Estas descobertas levaram alguns cientistas a crerem que os canabinóides endógenos e a leptina agem em conjunto, mas em sentido oposto, para controlarem o apetite.
 

 

A leptina foi descoberta em 1995, altura em que se geraram grandes expectativas relativamente ao seu uso para o controlo do peso, uma vez que se descobriu na altura que a administração de leptina a ratos obesos lhes diminuia o peso. No entanto, as tentativas de atingir estes objectivos em humanos falharam.
 

 

A leptina como que sonda o organismo em termos de necessidades e recursos de energia e gordura e actua junto do cérebro para controlar o apetite.
 

 

Os canabinóides são mais uma substância na complexa rede de regulação do apetite e, consequentemente, do peso.
 

 

Agora, é tempo de tentar vias alternativas de controlo de peso. Testes estão em curso para usar substâncias que inibem a actividade de canabinóides no cérebro, suprimindo o apetite e promovendo potencialmente a perda de peso.
 

 

Mas as coisas não são assim tão simples. Para além de a rede de regulação do apetite ser complexa, os canabinóides e a leptina regulam outros mecanismos, como a fertilidade e o stress.
 

 

Assim, os anti-canabinóides, além de promoverem a perda de peso podem ter efeitos secundários contrários aos canabinóides. Como disse, Stephen Bloom, do Imperial College de Londres, "podes ficar magro, mas também podes ficar a sentir-te miserável, deprimido e tenso".
 

 

Adaptado por
 

Helder Cunha Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Nature e Reuters

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