Lentes de contacto “especiais” podem eliminar temporariamente miopia

Estudo da Universidade do Minho

05 setembro 2011
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Um estudo da Universidade do Minho (UM) aponta “resultados satisfatórios” no uso de lentes de contacto especiais para “remodelar” a córnea reduzindo ou eliminando temporariamente defeitos da visão como a miopia e o astigmatismo.

 

Em comunicado, a UM adianta que o estudo “Efeitos das propriedades biomecânicas da córnea na resposta ortoqueratológica”, de Sofia Nogueira, demonstrou que o uso de lentes de contacto “especiais” durante nove meses permitiu a pacientes com problemas de miopia ter uma “visão satisfatória” durante dois dias sem utilizar as lentes.

 

As referidas lentes, informa a universidade, são lentes “rígidas e permeáveis aos gases e concebidas para remodelar a camada mais superficial da córnea, o epitélio, a fim de reduzir ou eliminar temporariamente defeitos da visão como a miopia e o astigmatismo”.
Para isso, estas lentes de contacto “especiais” têm uma conformação contrária à da córnea para aplaná-la e, por conseguinte, corrigir a miopia”, explica Sofia Nogueira.

 

O estudo de Sofia Nogueira é uma “extensão” da investigação desenvolvida pelo professor José González-Méijome e colaboradores do Laboratório de Investigação em Optometria Clínica e Experimental (CEORLab) do Centro de Física da UM, centrada na ortoqueratologia.

 

O trabalho de investigação deste grupo do Centro de Física da UM foi o “primeiro estudo publicado a nível mundial” sobre as repercussões das propriedades biomecânicas da córnea na resposta ao tratamento ortoqueratológico.

 

Um dos objectivos principais do estudo de Sofia Nogueira “foi verificar até que ponto o aplanamento da córnea persiste, mesmo após a interrupção do tratamento”, assinala a UM.

 

A investigadora adianta que “a regressão do efeito ortoqueratológico tende a ser mais significativa após o segundo dia”, verificando também “uma pequena recuperação do efeito do tratamento, o que poderia ser atribuído à pressão exercida pelas pálpebras fechadas sobre os olhos durante o período de sono”.

 

A UM informa ainda ter-se concluído que este tratamento “torna-se menos eficiente” em casos de miopia mais elevada.

 

“Apesar de alguns pacientes ainda sentirem as repercussões dos efeitos, a maioria dos envolvidos tinha que dormir com lentes de contacto no segundo dia, tendo já perdido grande parte da compensação obtida com o tratamento”, explica a investigadora.

 

No entanto, assegura José González-Méijome, “os pacientes com miopia até seis dioptrias podem utilizar as lentes durante o sono e retirá-las de manhã usufruindo de uma boa visão durante todo o dia”.

 

Este investigador afirma ainda ser “normal” que “a córnea adote novamente a sua forma original se o paciente deixar de utilizar as lentes de contacto durante a noite”.

 

A UM adianta ainda que em Portugal “aproximadamente três ou quatro por cento da população deva recorrer a este método para corrigir defeitos visuais”.

 

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