Leite materno: um fator de risco para transmissão do citomegalovírus

Estudo publicado no “JAMA Pediatrics”

26 setembro 2014
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O leite materno é um importante fator de risco para a transmissão do citomegalovírus (CMV) em bebés recém-nascidos, defende um estudo publicado no “JAMA Pediatrics”.
 

Os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Emory, nos EUA, contaram com a participação de 462 mães e 539 bebés, de três unidades de cuidados intensivos neonatais, que nasceram com um peso muito baixo. A maioria das mães tinha antecedentes de infeção por CMV antes do parto. As crianças foram incluídas no estudo cinco dias após o nascimento, não tendo, até essa altura recebido nenhuma transfusão, que é uma potencial fonte de transmissão do vírus. Os bebés foram testados para avaliação de infeção congénita ao nascimento, e adicionalmente em cinco momentos distintos desde o nascimento até completarem 90 dias, terem alta ou falecerem.
 

O estudo apurou que no total, 29 recém-nascidos foram infetados com o CMV, tendo cinco destes pacientes desenvolvido doença severa ou falecido. Apesar de terem sido administradas 2.061 transfusões (CMV seronegativas e desprovidas de leucócitos) a 310 bebés, verificou-se que nenhuma das infeções foi associada às transfusões.
 

Contudo, os investigadores verificaram que 27 das 28 infeções adquiridas após o nascimento ocorreram nas crianças alimentadas com leite materno CMV-positivo. Os autores do estudo estimam que 10 a 20% a das crianças com muito baixo peso à nascença, que são alimentadas com leite materno CMV-positivo de mães com antecedentes deste tipo de infeção irão desenvolver infeção por CMV no período pós-natal.
 

“Anteriormente, estimava-se que o risco de infeção por CMV através de transfusões seronegativas ou leucoreduzidas era de um a três por cento. Demonstrámos que a utilização de produtos sanguíneos CMV seronegativos e leucoreduzidos, pode impedir eficazmente a transmissão deste vírus através das transfusões”, revelou, em comunicado de imprensa, a primeira autora do estudo, Cassandra Josephson.
 

Atualmente, a Academia Pediátrica Americana defende que os benefícios da amamentação de mães seropositivas para o CMV a bebés prematuros é maior que os riscos decorrentes da infeção por este vírus, via transfusão. Apesar de o leite materno ser a melhor fonte de nutrição para os bebés prematuros, os autores do estudo defendem a aplicação de novas estratégias para impedir a transmissão do vírus através do leite materno, uma vez que a congelação e descongelação não impede a transmissão por completo. Como alternativa, os investigadores sugerem testes serológicos de rotina ao CMV para as mulheres grávidas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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