Leite materno protege bebés contra infeção mortal

Estudo publicado na revista “Clinical and Translational Immunology”

31 agosto 2016
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Um tipo de açúcar encontrado no leite materno pode proteger os recém-nascidos contra o Streptococcus do grupo B, uma bactéria que pode causar meningite e que é a principal causa de infeção nos primeiros três meses de vida, dá conta um estudo publicado na revista “Clinical and Translational Immunology”.
 

O Streptococcus do grupo B pode ser encontrado na vagina e nos intestinos da mulher. Acredita-se que uma em cada três mulheres transfira esta bactéria para os bebés durante o parto ou no leite materno.
 

O leite materno contém uma mistura de vários tipos de açúcar, conhecidos por oligossacarídeos do leite humano. Estes não são digeridos no estômago do bebé e funcionam como alimento para as bactérias benéficas encontradas no intestino.
 

O tipo de açúcares que uma mulher produz no leite é em parte ditado pela sua composição genética. Um tipo de sistema genético específico, o sistema Lewis (que está envolvido na produção do grupo sanguíneo ABO) desempenha um papel importante na determinação dos açúcares no leite materno.
 

No estudo, os investigadores do Imperial College de Londres, no Reino Unido, contaram com a participação de 183 mulheres. A presença de açúcares conhecidos por serem controlados pelos genes Lewis foi testada no leite materno. Foi também avaliada a presença do Streptococcus do grupo B nas mulheres e nos bebés à nascença, aos seis dias, bem como 60 e 89 dias após o nascimento.
 

O estudo apurou que as mulheres que produziam açúcares no leite materno associados ao gene Lewis eram menos propensas a terem as bactérias no intestino, e os bebés também eram menos suscetíveis a adquirir as bactérias da mãe à nascença.
 

Entre os bebés que tinham as bactérias no intestino à nascença, aqueles cujas mães produziam um açúcar específico no leite materno – o lacto-n-difucohexaose I – tinham maior probabilidade de não terem a bactéria 60 a 89 dias após o nascimento. Estes resultados sugerem, assim, que este açúcar do leite materno pode ter um efeito protetor. Foi também demonstrado que o leite que continha este tipo de açúcar era mais eficaz a eliminar o Streptococcus do grupo B, comparativamente com o leite sem o lacto-n-difucohexaose I.
 

De acordo com o líder do estudo, Nicholas Andreas, esta investigação, ainda que em fase inicial, demonstra a complexidade do leite materno e os benefícios que estes podem ter para o bebé, sugerindo que os açúcares do leite materno podem proteger contra a infeção provocado pelo rotavírus e pelo Streptococcus do grupo B. Adicionalmente, estes açúcares podem promover a presença de bactérias benéficas nos intestinos dos bebés.

 

Acredita-se que os açúcares também atuem como um chamariz que leva as bactérias a considerá-los como um tipo de célula humana que pode ser invadida. Dessa forma, as bactérias ligam-se ao açúcar que é posteriormente excretado pelo organismo. Este processo ajuda a proteger o bebé da infeção até que o sistema imunológico esteja mais maduro e capaz de combater os microrganismos prejudiciais, por volta dos seis meses.

 

Os cientistas esperam que estes achados conduzam ao desenvolvimento de novos tratamentos capazes de proteger as mães e os bebés de infeções.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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