Leite materno poderá proteger bebés contra VIH

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

24 outubro 2013
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O leite materno contém uma proteína que neutraliza o VIH e que poderá proteger os bebés de adquirirem este vírus das mães infetadas, dá conta um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 
“Apesar de os fármacos antirretrovirais serem capazes de impedir a transmissão entre mãe e filho, nem todas as mães são submetidas a um teste do VIH, e menos de 60% são tratadas com fármacos preventivos, particularmente nos países que têm poucos recursos. Desta forma há a necessidade de encontrar estratégias alternativas para impedir a transmissão mãe filho”, revelou, em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Sallie Permar.
 
A UNICEF estima que em 2011, 330.000 crianças adquiriram VIH durante a gravidez das mães ou através da amamentação. Uma vez que as organizações internacionais têm como objetivo eliminar a disseminação das infeções entre mãe e filho, os investigadores estão a trabalhar para desenvolver alternativas eficazes à terapia antirretroviral que possa ser utilizada nas crianças.
 
Neste estudo os investigadores da Universidade de Duke, nos EUA, focaram-se no leite materno, pois há muito que se sabia que tinha propriedades capazes de inibir a transmissão mãe-filho. Estudos anteriores já tinham identificado que o leite materno tinha algumas propriedades antivirais, mas estas ainda permaneciam por explicar. 
 
Os investigadores analisaram amostras de leite materno de mulheres não infetadas tendo confirmado que a atividade de neutralização de um painel de estirpes de VIH estava concentrada numa proteína de peso molecular elevado. Após terem utilizado um método capaz de separar as proteínas, os investigadores verificaram que a atividade de neutralização do VIH se concentrava numa única proteína, a TNC.
 
A TNC é uma proteína que está envolvida no processo de cicatrização das feridas, desempenhando um papel importante na reparação dos tecidos. Esta proteína tem também um papel importante no desenvolvimento fetal, mas as suas propriedades antivirais nunca tinham sido descritas”, referiu um coautor do estudo, Harold Erickson.
 
Através de uma análise mais detalhada, os investigadores verificaram que de facto a proteína consegue capturar, de uma forma eficaz, as partículas virais e neutralizar o vírus, através da sua ligação a uma parte da estrutura do vírus conhecida como envelope. Estas propriedades proporcionam uma proteção generalizada contra a infeção.  
 
Na opinião dos investigadores, com base nestes resultados poderia ser desenvolvida uma terapia contra o VIH, que seria administrada às crianças
antes da amamentação. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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