Leite materno ajuda a combater a inflamação e infeção

Estudo publicado na revista “Mucosal Immunology”

19 outubro 2015
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O leite materno, que fornece os nutrientes essenciais e anticorpos aos recém-nascidos, já há muito que é conhecido por desempenhar um papel importante no desenvolvimento infantil. O estudo agora publicado na revista “Mucosal Immunology” descobriu que o leite materno funciona como um reservatório de biomoléculas que ajuda no combate da inflamação e infeção.
 
No estudo, os investigadores do Hospital Brigham and Women's, nos EUA, descobriram moléculas conhecidas por SPM (do inglês, specialized pro-resolving mediators) no leite materno humano, tendo verificado que cada uma destas moléculas resolvia a inflamação e estimulava a resposta imunológica em modelos pré-clínicos.
 
Alguns SPM já tinham sido anteriormente detetados no leite materno, mas, de acordo com os investigadores, esta foi a primeira vez que se encontrou uma variedade tão grande de moléculas bioativas, incluindo moléculas que ajudam a eliminar as infeções, reduzir a inflamação, combater a dor e curar as feridas.
 
“O leite materno humano tem muitas propriedades protetoras importantes. Este estudo aumenta o nosso conhecimento dos benefícios fornecidos pelo leite materno”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Hildur Arnardottir.
 
Nas duas últimas décadas a equipa de investigadores tem feito descobertas importantes que ajudaram a esclarecer as vias de sinalização bioquímica que resolvem e controlam a inflamação, a dor associada à doença e a cura de feridas. Agora, neste estudo, os investigadores utilizaram técnicas de deteção rigorosas para analisar estes sinais no leite materno humano, tendo descoberto um perfil constituído por 20 moléculas com propriedade pró-resolução. Posteriormente foram testadas as contribuições de amostras de leite materno e das moléculas individualmente em modelos animais e celulares de infeção, tendo sido medido o tempo até à resolução.
 
O estudo também testou amostras de leite materno humano de mulheres com mastite, uma infeção do tecido mamário que causa dor e inflamação. Verificou-se que os níveis de SPM no leite das mulheres com mastite eram mais baixos e não resolviam a inflamação e infeção no mesmo grau que o leite materno de mulheres sem mastite. Os SPM não foram detetados no leite de vaca e no leite de fórmula.
 
“Os resultados sugerem um papel dos SPM na modelação da inflamação, infeção e estimulação da infeção durante o desenvolvimento precoce do sistema imunitário, e reforça a importância do leite materno para os bebés”, conclui um dos autores do estudo, Charles Serhan.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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