Leis da natureza preveem evolução do cancro?

Estudo publicado na revista “Nature Genetics”

21 janeiro 2016
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Ao longo do tempo, os cancros evoluem em padrões que se regem pelas mesmas leis naturais que ditam os processos físicos e químicos tão diversos como o fluxo dos rios e o brilho das estrelas, sugere um estudo publicado na revista “Nature Genetics”.
 

O estudo levado a cabo pelos investigadores do Instituto do Cancro e da Universidade de Queen Mary, no Reino Unido, poderá ajudar os médicos a tomarem decisões clínicas relativamente à forma como o cancro de um determinado indivíduo se altera e os tratamentos que deverão ser utilizados, através da aplicação de fórmulas matemáticas às biopsias tumorais.
 

No estudo, os investigadores liderados por Andrea Sottoriva, utilizaram uma grande quantidade de dados gerados a partir de 900 tumores de 14 tipos diferentes, para demonstrar que muitos cancros evoluem num padrão particular que pode ser previsto.
 

Muitos tipos de cancros, como o cancro do intestino, estômago e alguns tipos de cancro do pulmão, seguem uma via estabelecida pelo modelo teórico que descreve a acumulação e proliferação das mutações genéticas durante uma única expansão rápida.
 

O modelo prevê que em muitos tumores, todos os genes do cancro importantes já estão presentes no início do crescimento do tumor, e as novas mutações dentro do tumor são essencialmente “passageiras”, sem nenhum efeito adicional.
 

Os investigadores demonstraram que estas mutações passageiras podem-se acumular seguindo um padrão de distribuição de potências. Este padrão pode ser encontrado na natureza em vários sistemas físicos, químicos e biológicos incluindo o fluxo do rio Nilo, a luminosidade das estrelas e inclusivamente ajuda a regular o mercado financeiro.
 

O estudo apurou que este modelo não é tão bom a prever as trajetórias de outros cancros, como o do cérebro e os tumores pancreáticos. Estes achados sugerem que nestes casos a seleção natural, impulsionada por pressões nos recursos e espaço, pode desempenhar um papel mais importante na disseminação das mutações.
 

No entanto, os investigadores referem que no futuro, o desenvolvimento deste tipo de cancros pode ser previsto através de modelos matemáticos mais elaborados. O próximo passo é determinar como as novas características de previsão medidas, como a velocidade de desenvolvimento de mutações agressivas ou mutações resistente a fármacos, podem ser mapeadas com os resultados dos pacientes ao longo do tempo.
Esta nova análise dos dados do cancro tem implicações clínicas potencialmente importantes, uma vez que fornece uma nova forma de distinguir as mutações que deveriam ser alvo de tratamento versus as mutações “passageiras” que podem não ter qualquer efeito no crescimento do cancro.
 

“O nosso estudo indica que a disseminação das mutações no cancro segue leis naturais, e são portanto teoricamente previsíveis. Esta previsibilidade significa que a grande maioria dos dados genéticos, que podem ser gerados a partir das biopsias, podem informar como um determinado cancro se vai desenvolver ao longo do tempo, que mutações irão torná-lo numa doença mais agressiva, quando vão surgir, e quais os fármacos mais adequados ao seu tratamento”, conclui Andrea Sottoriva.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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