Legionella: problemas como o surto resultam de menores exigências

Defende uma investigadora

19 novembro 2014
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Os problemas ambientais, como o surto de Legionella de Vila Franca de Xira, resultam da menor exigência da tutela nas monitorizações de poluentes devido à falta de meios, defende a investigadora Luísa Schmidt.
 
"Afinal as questões ambientais são as questões de saúde pública e ficou bem à vista com este caso como a duas coisas estão articuladas, ambiente e saúde, e como pode afetar tanto a nossa qualidade de vida e até causar estes problemas gravíssimos e dramáticos", disse à agência Lusa a investigadora do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa.
 
Luísa Schmidt salientou que "são as consequências já da redução de exigência que o Ministério do Ambiente tem revelado porque está com muito menos poderes, está fragmentado, muitas pessoas saíram e, portanto, a monitorização não se está a fazer como deveria e as exigências às indústrias para monitorizar" a emissão de poluentes também não estão a ser como deveria.
 
A partir de certa dimensão, as indústrias têm de fazer a monitorização de um conjunto de indicadores, incluindo da Legionella, e têm de enviar os resultados para o Ministério do Ambiente, para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). 
 
Muitos dos controlos devem realizar-se "em contínuo, diariamente", como o dióxido de carbono. No entanto para aquela bactéria, "as análises não são em contínuo, mas trimestrais, tem de haver controlo trimestral sobre a Legionella e isso, pelos vistos, em algumas indústrias, tem falhado e o nível de exigência da Agência Portuguesa do Ambiente também", acrescentou.
 
Quanto às razões para esta situação, a investigadora refere "a falta de força e a fragilização em que está o Ministério do Ambiente no seu conjunto, depois, a falta de meios", além da "sangria dos técnicos qualificados" das entidades da área ambiental. Por outro lado, também "é suposto haver ações inspetivas e, portanto, era preciso reforçar o corpo de inspetores", acrescentou a investigadora.
 
De acordo com Luísa Schmidt, muitas das tarefas do Estado até podem ser reduzidas ou recicladas, mas "há certas funções do Estado que não podem ser substituídas, [como a] fiscalização, monitorização e regulação e, efetivamente, em Portugal isso não se verifica e a área do Ambiente, diretamente ligada à qualidade de vida e à saúde, deveria dar muita força a estas três dimensões". A questão da saúde pública "é central", para a especialista do ICS. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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