Laureado Nobel da Medicina dá conferência de imprensa segunda-feira em Lisboa

Até agora, o cientista deu apenas algumas entrevistas pontuais

12 outubro 2002
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A primeira conferência de imprensa oficial de Sydney Brenner, um dos três cientistas laureados este ano com o Prémio Nobel da Medicina, vai realizar-se segunda-feira, ao fim da tarde, em Lisboa.
 

 

O cientista britânico, de 75 anos, chegará a Portugal nesse mesmo dia no âmbito da sua participação na Conferência Internacional sobre a Globalização que a Fundação Calouste Gulbenkian vai organizar entre terça e quarta-feira.
 

 

Em consequência do anúncio da distinção de Brenner, e para responder à curiosidade que a sua presença em Portugal poderá suscitar, a Fundação vai promover um encontro com o investigador exclusivamente dedicado a jornalistas.
 

 

A obra de Brenner será apresentada por António Coutinho, do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), instituição portuguesa que Brenner acompanha desempenhando as funções de presidente do Conselho Científico.
 

 

No quadro dessas funções, Brenner desloca-se a Portugal uma a duas vezes por ano para avaliar a qualidade científica dos trabalhos de investigação em curso no Instituto e acompanhar as propostas de novos grupos de investigação a serem acolhidos pelo IGC.
 

 

Sydney Brenner, de nacionalidade britânica, é de origem lituana e nasceu na África do Sul, país para o qual seu pai imigrou e onde trabalhou como sapateiro.
 

 

Filho de um analfabeto, Brenner foi "descoberto" por uma professora a quem ficou a dever a oportunidade de iniciar os seus estudos.
 

 

Retirado da Universidade de Cambridge, Brenner partilha actualmente o seu tempo entre o Instituto de Ciências Moleculares (Berkeley, EUA), o Instituto Salk (La Jolla, EUA) e Singapura (Instituto de Biologia Molecular e Celular), mantendo ainda uma actividade intensa de conferencista em todo o mundo.
 

 

Muitos dos seus pares afirmam que já deveria ter recebido o Nobel por investigação desenvolvida nos anos 50 (descoberta do ARN mensageiro e do código genético), mas foi a visão de lançar a investigação sobre um novo modelo experimental (o verme Caenorhabditis elegans) que lhe valeu o Nobel da Medicina.
 

 

O modelo que Brenner permitiu enormes progressos no conhecimento da regulação genética da organogénese (origem dos órgãos) e da morte celular programada, um trabalho que poderá ainda ter repercussões práticas no desenvolvimento de medicamentos contra o cancro, e, no futuro, na engenharia de órgãos.
 

 

O Prémio distinguiu igualmente dois outros cientistas, John E.Sulston e Robert Horvitz.
 

 

Mais recentemente, Brenner foi de novo inovador, ao tornar- se um dos primeiros cientistas a defender a sequenciação completa de genomas e o desenvolvimento da bioinformática, tendo introduzido mais um organismo modelo, o peixe-balão, cujo genoma acaba de ser decifrado por uma equipa liderada por um português, Samuel Aparício, colaborador de Brenner.
 

 

Até agora, o cientista deu apenas algumas entrevistas pontuais sobre o prémio que reconheceu internacionalmente, e à escala global, o seu trabalho.
 

 

Fonte: Lusa

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