Lares de terceira idade em áreas arborizadas

Idosos que moram perto de espaços verdes vivem mais tempo

04 dezembro 2002
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Quem nega que viver no campo faz bem à saúde? Ninguém. E ninguém poderá agora negar que viver em sítios arborizados, dentro das grandes cidades, faz tão bem à saúde do que habitar ao pé de uma fonte de poluição.
 

 

Ao que sugere um estudo japonês, os idosos que vivem em regiões com ruas arborizadas e próximas a parques com áreas verdes parecem ter maior longevidade que aqueles menos expostos ao verde. Tudo porque, aponta o estudo, os idosos moradores nas áreas «arborizadas» são mais propensos a responder aos apelos da vida ao ar livre, explicaram os autores.
 

 

«Acredita-se que a disponibilidade de espaços abertos para passeios perto da residência seja um estímulo a fazer caminhadas fora de casa, hábito que ajuda a manter um nível elevado de condicionamento físico», informou a equipa de Takehito Takano, da Universidade de Medicina e Odontologia de Tóquio, em Yushima (Japão).
 

 

Por esse motivo, os investigadores recomendam aos planeadores urbanos, bem como aos profissionais de saúde para levar em consideração as necessidades dos idosos quando projectarem cidades ou residências.
 

 

«Deveria existir uma colaboração mais intensa entre os profissionais de saúde, construtores, engenheiros civis, planeadores urbanísticos e outros sectores envolvidos nas políticas de urbanismo com a finalidade de promover a saúde dos cidadãos idosos», apontaram os cientistas.
 

 

A equipa de Takano acompanhou 3.144 pessoas que viviam em áreas densamente povoadas de Tóquio e tinham nascido entre 1903 e 1918. Os idosos foram entrevistados em 1992 e, uma segunda vez, em 1997.
 

 

No geral, 29 por cento das pessoas morreram durante os cinco anos de estudo, e restaram 2.211 sobreviventes. As idosas, no entanto, foram mais propensas a permanecerem vivas que os homens. Mas, o estudo mostrou que tanto homens quanto mulheres tinham tendência a viver mais tempo quando moravam nas proximidades de áreas ajardinadas, arborizadas ou perto de parques.
 

 

O impacto positivo da arborização na sobrevivência desses idosos por um período de cinco anos permaneceu válido mesmo quando os investigadores levaram em consideração outros factores que influenciam a longevidade, tais como idade, género, situação conjugal e posição socioeconómica.
 

 

O estudo mostrou ainda que os homens foram menos propensos a sobreviver quando habitavam áreas barulhentas, com muita circulação de carros e muitas fábricas. Já as mulheres mostraram uma tendência de viver mais tempo quando tinham comunicação activa com os vizinhos e tinham preferido continuar a viver na mesma comunidade.
 

 

O número de horas de iluminação solar nas janelas da casa pareceu influenciar a longevidade, mas apenas nos homens.
 

Quanto maior o número de horas que o sol batia na casa, maior a probabilidade do idoso sobreviver aos cinco anos que durou a investigação.
 

 

Os resultados sugerem, apontam os investigadores, que «a existência de parques e ruas arborizadas perto das residências é particularmente importante para idosos que vivem em áreas urbanas densamente povoadas».
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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