Lâmpadas de UVA dos solários aumentam risco de cancros da pele

Risco aumenta entre os utilizadores mais jovens

06 fevereiro 2002
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As pessoas que gostam de se manter bronzeadas durante todo o ano e, para manter aquela «corzinha», fazem sessões de bronzeamento artificial em solários, expondo-se às radiações ultravioletas do tipo A (UVA) correm mais riscos de contrair várias formas de cancro da pele. Estas conclusões resultam de um estudo realizado por cientistas norte-americanos e publicado na última edição do Journal of the National Cancer Institute.
 

 

Os investigadores alertam mesmo que esse risco é tanto maior quanto mais jovens forem os adeptos que utilizam regularmente os solários.
 

 

Os raios ultravioletas do tipo A também são utilizados com fins medicinais mas a utilização das lâmpadas emissoras de raios UVA tornou-se comum devido ao facto da exposição aos UVA permitir manter a pele com um aspecto bronzeado durante todo o ano. Por esta razão, os solários ganham cada vez mais adeptos em todo o mundo.
 

 

Segundo Margareth Karagas, epidemiologista da Darmouth Medical School, «a popularidade crescente dos bronzeados artificiais entre os adolescentes e os jovens adultos é motivo para preocupação». À luz destes novos conhecimentos, são precisamente as faixas etárias mais jovens as que correm mais riscos.
 

 

João Abel Amaro, director do serviço de dermatologia do Instituto Português de Oncologia, afirma que «existem vários estudos, já publicados, que comprovam a existência de uma relação entre a exposição aos UVA’s e o aumento de risco de contrair cancros cutâneos.»
 

 

Este clínico do IPO, realçou mesmo à agência Lusa a sua opinião como especialista: «como dermatologista, pura e simplesmente desaconselho a utilização, por razões estéticas, de solários ou de outros sistemas que funcionem à base destas lâmpadas.» E alternativas? Este médico aconselha os cremes auto-bronzeadores de aplicação local.
 

 

Abel Amaro acredita mesmo que a utilização das lâmpadas emissoras de raios UVA é muito mais perigosa do que a exposição directa ao Sol. Isto porque o «cocktail» de radiações (UVA, UVB, raios infravermelhos e o espectro de luz visível) emitido pelo Sol é muito mais equilibrado.
 

 

A investigação coordenada por Karagas, abrangeu uma amostra constituída por 1500 residentes de New Hampshire, com idades compreendidas entre os 25 e os 74 anos. Os cientistas entrevistaram as pessoas acerca da história e dos seus hábitos de exposição solar, de exposição a sistemas artificiais de bronzeamento, de tratamentos à base de radiações e, também, sobre os seus hábitos de tabagismo.
 

 

De todos os participantes no estudo, os investigadores encontraram mais de 800 voluntários (homens e mulheres) a quem foi diagnosticado um cancro da pele. Destes casos diagnosticados, 606 correspondiam a carcinomas baso-celulares e 293 a carcinomas espino-celulares.
 

 

Karagas e colaboradores constataram que as pessoas que afirmaram ter usado lâmpadas emissoras de UVA são 2,5 vezes mais suspeptíveis de desenvolver carcinomas espino-celulares e 1,5 vezes mais propensas a contrair carcinomas baso-celulares do que as que nunca recorreram à utilização destes aparelhos.
 

 

Outra conclusão deste estudo, já referida, é o aumento do risco de carcinomas baso e espino-celulares nas faixas etárias mais jovens. Karagas e seus colegas constataram que o risco aumenta numa proporção de 20% para o primeiro tipo de carcinoma e 10% para o segundo, por cada década em que a utilização de utilização de lâmpadas emissoras de UVA’s é iniciada mais cedo.
 

 

Para a coordenadora desta investigação, estes dados fazem todo o sentido e permitem concluir que a utilização de lâmpadas ultravioletas aumenta o risco destes dois tipos de carcinoma: o baso-celular e o espino-celular.
 

 

Assim surge o apelo dos autores deste estudo para que «os sistemas públicos de saúde proporcionem as respostas adequadas» e dirigidas, sobretudo, à população mais jovem - normalmente a mais adepta destes sistemas de bronzeamento artificial.
 

 

Que medidas a adoptar? Os especialistas defendem, por exemplo, a restrição da utilização destes aparelho por menores exigindo uma declaração escrita por parte dos encarregados de edução. Este alerta é inteiramente subscrito pelo especialista português Abel Amaro que acrescenta, ainda, que cada solário deveria ter a assistência de um técnico de saúde devidamente credenciado por forma a minimizar os riscos desta prática. Para Abel Amaro, a existência de um técnico credenciado em cada solário possibilitaria o aconselhamento sobre o tempo máximo de exposição adequado ao fototipo cutâneo de cada utilizador.
 

 

Em Portugal, o clínico do IPO estima que surjam cerca de 600 novos casos de melanoma por ano (uma incidência de seis casos por cada cem mil habitantes), contra 8 mil casos de carcinomas baso- celulares e cerca de 1.500 de carcinomas espino-celulares.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fontes: Lusa e BBC

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