Lactato: como protege os neurónios de traumas agudos?

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

23 fevereiro 2016
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Investigadores suíços descobriram como o lactato, um produto residual do metabolismo da glicose, pode proteger os neurónios dos danos após trauma agudo, como o acidente vascular cerebral (AVC) ou a lesão da espinal medula, dá conta um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.


O AVC ou lesão da espinal medula podem fazer com que as células nervosas recebam estimulação excessiva, o que acaba por danificá-las e até matá-las. Este processo, conhecido como excitotoxicidade, é uma das razões por que o tempo é crítico após estes tipos de traumas, estando também envolvido em doenças neurodegenerativas progressivas, como é o caso da doença de Alzheimer.


Neste estudo, os investigadores da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, constataram que o lactato, que é produzido no cérebro e mesmo nos músculos após a prática de exercício intenso, pode ser utilizado para proteger os neurónios contra a excitotoxicidade.


Após trauma agudo, como um AVC ou lesão da espinal medula, um certo tipo de recetores fica descontrolado e sobrecarrega o neurónio-alvo com uma torrente de sinais elétricos. Isso faz com que ocorra uma acumulação de iões de cálcio dentro do neurónio, o que desencadeia vias bioquímicas tóxicas que, em última análise, o danificam e matam.


Os recetores em causa são denominados recetores NMDA e interagem com o neurotransmissor glutamato. Estes recetores são um alvo preferencial da investigação científica, uma vez que estão envolvidos em várias doenças, incluindo a epilepsia, esquizofrenia, doença de Parkinson e doença de Alzheimer.


Neste estudo os investigadores, liderados por Pierre Magistretti, decidiram analisar os efeitos do glutamato em culturas de neurónios do cérebro de ratinhos, tendo utilizado uma nova técnica imagiológica não-invasiva que permite visualizar a estrutura e dinâmica das células com a resolução ao nível dos nanómetros.


Estudos anteriores já tinham sugerido que o lactato protegia os neurónios contra a excitotoxicidade. Contudo, ainda não se tinha apurado como este processo ocorria. No estudo foi testado o efeito do glutamato em neurónios de ratinho na presença ou ausência de lactato. Verificou-se que o glutamato matou 65% dos neurónios, mas na presença do lactato o número diminui para 32%.
 

De forma a tentar perceber como o lactato protegia os neurónios, os investigadores utilizaram diferentes bloqueadores dos recetores nos neurónios dos ratinhos, tendo apurado que o lactato desencadeia a produção de ATP, molécula de energia da célula. Por sua vez, o ATP produzido liga-se e ativa um outro tipo de recetor no neurónio, que ativa uma cascata complexa de mecanismos de defesa. Como resultado, o neurónio pode resistir ao ataque de sinais provenientes do recetor NMDA.


Estes achados podem ajudar a compreender melhor a neuroprotecção, podendo conduzir a formas farmacológicas melhoradas com o intuito de atenuar os danos irreparáveis causados por um AVC, danos da espinal medula e outros traumas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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