Jovens portugueses pouco predispostos a doar gâmetas

Estudo da Universidade do Porto

04 outubro 2013
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Os jovens portugueses estão pouco predispostos a doarem óvulos e espermatozoides, apesar de aceitarem esta técnica, dá conta um estudo da Universidade do Porto.
 

Para o estudo, os investigadores da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação e da Faculdade de Ciências, da Universidade do Porto, contaram com a participação de 1.532 jovens (941 mulheres e 591 homens), com idades entre os 14 e os 22 anos e que frequentavam o ensino secundário público.
 

“Os adolescentes portugueses apoiam a doação de gâmetas para a Procriação Medicamente Assistida (PMA), a comparticipação pelo Estado para o recurso a estas técnicas, e o anonimato dos dadores”, lê-se nas conclusões do estudo, ao qual a agência Lusa teve acesso.
 

Apesar disso, “os resultados revelaram uma baixa predisposição dos adolescentes, quer para recorrer no futuro a dadores de gâmetas caso necessitem, quer para serem dadores”.
 

Um das autoras do estudo, Mariana Veloso Martins, revelou à agência Lusa que, apesar dos adolescentes portugueses apoiarem a doação de gâmetas e perceberem que é necessário os casais recorrerem a ela, esta “é uma realidade ainda muito distante para eles”.
“Eles entendem o desejo dos casais quererem um filho e concordam com o apoio do Estado a estas técnicas, mas não revelam predisposição nenhuma para recorrer a elas nem revelam qualquer predisposição para serem dadores”, adiantou.
 

Por estas razões, a investigadora considera que “não é realista esperar que emirja uma cultura de doações altruístas em Portugal se nada for feito para que haja uma maior motivação por parte dos jovens, que são o principal alvo do banco público de gâmetas, uma vez que são os que têm maior qualidade de espermatozoides e ovócitos”.
 

De acordo com as conclusões do estudo, “tanto os rapazes como as raparigas discordam da utilização desta técnica em casais homossexuais e para fins de seleção (como de género ou raça) e da manipulação para investigação científica”.
 

Os autores do estudo defendem que a educação sexual inclua a prevenção da infertilidade e as implicações do recurso a dadores (à semelhança da adoção), assim como um maior empenho ao nível de campanhas e programas de ação que possam levar os jovens a serem dadores de espermatozoides e óvulos.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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