Jovens muito stressados podem sofrer enfarte prematuro
22 abril 2002
  |  Partilhar:

Quem nunca sentiu raiva descontrolada quando algo correu mal? Um furo do pneu no meio de uma gigantesca fila de trânsito, uma má resposta no emprego, uma discussão familiar...Pois, há quem fique de mau humor, outros com raiva, outros ainda ansiosos. E, há quem consiga controlar estes impulsos e conviver com os outros de uma forma pacífica.
 

 

Este artigo, no entanto, é dirigido a quem não consegue deixar de ficar mal humorado ou impaciente quando confrontado com determinadas situações. É que, segundo um estudo recente, estes sentimentos podem conduzir a ataques cardíacos prematuros.
 

 

O estudo concluiu que os jovens mais reactivos ao stress, demonstrando raiva, têm três vezes mais probabilidade de desenvolver doenças do coração.
 

 

Comparados com um grupo de pessoas calmas, os jovens mais ansiosos estão cinco vezes mais expostos a sofrer um ataque cardíaco prematuro, concluiu a investigação. Para o cálculo da probabilidade não foram considerados os históricos de doenças cardíacas na família.
 

 

Ataques de raiva
 

Alguns dos jovens analisados expressam, de um modo evidente, a raiva perante determinada situação, outros conseguiram disfarçar e muitos outros tornara-se irritadiços com "ataques de raiva".
 

 

 

Segundo a líder da investigação norte-americana, Patricia Chang, "os temperamentos explosivos indicaram a possibilidade de desenvolver doenças muito antes do aparecimento de qualquer outro factor de risco - como diabetes ou a hipertensão".
 

 

Uma situação, de facto, muito preocupante. Por isso, e segundo a investigadora, o melhor a fazer se sentir que não controla os sentimentos é procurara ajuda. "Os jovens que sentem muita raiva devem procurar ajuda profissional para lidar com a sua personalidade, especialmente de vários estudos terem demostraram que mesmo aqueles que já apresentam problemas cardíacos melhoram quando aprendem a lidar com a raiva."
 

 

Números do perigo
 

 

A equipa de Chang usou dados de um estudo recente envolvendo mais de 1.300 estudantes que entraram para a Faculdade de Medicina da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, entre os anos de 1948 e 1964.
 

 

Acompanharam 1.055 homens ao longo de 36 anos, com o intuito de examinar o risco de doenças cardiovasculares prematuras associadas às respostas ansiosas ao stress durante a vida adulta.
 

 

Durante os anos de faculdade e depois, em 1992, todos os participantes responderam a um "questionário de tensão nervosa", que procurava pistas sobre as respostas ao stress individual.
 

 

Expressar ou disfarçar maus sentimentos, ficar irritado e ter ataques de fúria foram eram as respostas definidas como indicadoras de raiva máxima, de acordo com o estudo publicado nos Arquivos Internos de Medicina.
 

 

Ao responder ao questionário durante os anos de faculdade, 229 homens disseram expressar ou disfarçar a raiva, 169 disseram ter ataques de fúria e 99 ficavam irritadiços.
 

 

Vinte e um deles usaram as três respostas para descrever as reacções, correspondendo ao nível mais alto de raiva.
 

 

Ao completarem 76 anos, 205 desses homens já tinham desenvolvido doenças cardíacas, quando tinham, em média, 56 anos de idade. Desses, 145 tiveram doenças coronárias (94 com ataques cardíacos) e 59 sofreram um AVCs (acidente vascular cerebral).
 

 

Setenta e sete apresentaram doenças cardiovasculares prematuramente, com uma média de idade que ronda os 49 anos. Desses, 56 desenvolveram doenças coronárias (34 com ataques cardíacos) e 13 tiveram AVCs prematuramente.
 

 

Alto risco
 

 

Segundo Chang, "apesar do número de ataques cardíacos ter sido pequeno, a incidência de doenças cardiovasculares foi significativamente mais alta nas pessoas que apresentaram altos níveis de raiva em comparação com os mais calmos".
 

 

Para a investigadora ainda não está claro se as descobertas também se aplicam às mulheres ou a diferentes grupos étnicos.
 

 

Para a especialista, a explicação para a relação entre stress e ataques cardíacos poderá estar numa libertação extra de catecolaminas aliada ao stress. Essas substâncias são produzidas naturalmente pelo corpo humano e funcionam como hormonas ou como transmissores de mensagens.
 

 

Assim como a adrenalina, as catecolaminas preparam o corpo para emergências como o frio, o cansaço ou os choques, contraindo as veias sanguíneas e obrigando o coração a trabalhar mais para garantir a circulação.
 

 

MNI-Médicos Na Internet
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.