Jovens com cancro vão ter mais hipóteses de serem pais

Nova esperança na preservação da fertilidade de crianças e adolescentes com cancro

28 novembro 2002
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Investigadores japoneses e britânicos realizaram dois estudos, ambos publicados hoje na revista Human Reproduction, que representam uma nova esperança na preservação da fertilidade de crianças e adolescentes com cancro.
 

 

Num dos estudos, cientistas japoneses procuraram formas de ajudar crianças e adolescentes do sexo masculino cujos testículos ainda não contêm esperma maduro e que podem tornar-se estéreis após tratamentos contra o cancro.
 

 

Para tal, congelaram pedaços do tecido testicular imaturo de ratos e transplantaram-no para testículos de outros ratos cujo esperma tinha sido destruído por uma injecção que imita os efeitos de um tratamento de combate ao cancro.
 

 

O tecido transplantado cresceu e o processo de produção de esperma (espermatogénese) foi restaurado.
 

 

Os cientistas recolheram células espermatogénicas destes animais, congelaram-nas e injectaram-nas mais tarde em ratos fêmea.
 

 

Por este processo, nasceram 62 ratos de um total de 123 embriões implantados.
 

 

"A protecção da fertilidade é um problema clínico urgente para rapazes com cancro que se submetem a tratamentos de radio ou quimioterapia", sublinhou o principal autor do estudo, Atsuo Ogura, do Institute of Physical and Chemical Research Bioresource Center, em Ibaraki.
 

 

Os cientistas nipónicos consideram que esta técnica poderá estar disponível para seres humanos dentro de uma década, embora alertem para a necessidade de considerar os aspectos éticos do processo.
 

 

Num outro estudo, investigadores britânicos demonstraram que é possível obter sémen de rapazes por volta dos 12 anos e pedem que seja criado um banco de esperma para estes casos.
 

 

O estudo demonstrou que, em mais de 85 por cento dos casos, é possível obter em rapazes a partir dos 12 anos uma amostra de sémen com um número e uma qualidade de espermatozóides suficientes para posterior utilização com fins reprodutivos.
 

 

A investigação, conduzida por uma equipa da University College Hospital (Londres), especializada em cancro de adolescentes, e pelo Middlesex Hospital (Londres), incluiu 238 adolescentes antes do tratamento contra o cancro e 71 homens saudáveis, que serviram de base comparativa em relação à qualidade e volume do sémen.
 

 

"Esta é uma descoberta importante e tranquilizadora. A possibilidade de conservar o sémen antes de um tratamento contra o cancro é poucas vezes oferecida aos adolescentes por não se saber se valeria a pena congelar material deste grupo etário", explicou Gulam Bahadur, que liderou a investigação no University College Hospital.
 

 

Segundo o investigador, as conclusões deste estudo são encorajadoras para médicos, pais e, sobretudo, para os doentes.
 

 

"Estes jovens que têm de realizar quimio ou radioterapia sabem que o tratamento vai provavelmente destruir a sua fertilidade. Agora podemos dar-lhe algumas novidades positivas que poderão ter um efeito psicológico muito importante", sublinhou.
 

 

Os investigadores britânicos pedem agora que seja criado um banco de esperma especificamente dirigido aos jovens com estes problemas.
 

 

Fonte: Lusa

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