Jovem francês pede a Chirac o direito à morte assistida

Tetraplégico de 21 anos provoca debate sobre eutanásia

19 dezembro 2002
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O apelo comovente de um jovem tetraplégico, que reclama «o direito de morrer», relançou o debate sobre a eutanásia em França, onde a prática é proibida, e surpreendeu o presidente Jacques Chirac, a quem foi dirigida a mensagem.
 

 

Vincente Humbert, 21 anos, escreveu há dois meses a Chirac: «Quero que saiba que você é minha última oportunidade», diz a carta. O presidente francês afirmou só ter tomado conhecimento do conteúdo da carta esta semana, depois do seu gabinete ter enviado uma resposta, considerada muito «fria» pela imprensa francesa.
 

 

Humbert está paralítico, mudo e quase cego, por causa de um acidente automobilístico que sofreu há dois anos, tendo passado nove meses em coma. Internado em Berck-sur-Mer (norte da França), só pode comunicar movimentando levemente o polegar direito na mão de seu interlocutor. «Mexo levemente a mão direita, fazendo uma pressão do polegar de modo diferente para cada letra do alfabeto. Essas letras formam palavras e essas palavras formam frases. É a minha única forma de comunicação», diz Humbert em sua carta.
 

 

O jovem só vê sombras e é alimentado por um tubo que se estende ao estômago. A sua mãe, Marie Humbert, abandonou todas as suas actividades para permanecer ao lado do filho. «Como mãe, não me peçam que aprove», disse, sobre o desejo de Humbert de morrer. «Ele não aguenta mais. Está muito decidido. Se não puder ser feito aqui, iremos à Suíça ou à Bélgica», afirmou.
 

 

Um dos assessores enviou no início do mês uma resposta à carta do jovem, que foi publicada pelo jornal «France Soir» e surpreendeu pela frieza: «O presidente da República recebeu sua carta. Sensível aos sentimentos que inspiraram a sua iniciativa, Jacques Chirac pediu-me para lhe agradecer por ter transmitido o seu apelo, e que lhe assegure que conta com seu apoio na dificuldade que enfrenta».
 

 

O drama relança a questão da eutanásia, uma prática ilegal na França mas não em dois países vizinhos: Bélgica e Holanda. No início do mês, o suicídio da mãe do ex-primeiro-ministro Lionel Jospin, Mireille Jospin, 92, já tinha reactivado o debate. Mireille fazia parte do comité patrocinador da Associação pelo Direito a Morrer com Dignidade (ADMD), entidade francesa que luta pela legalização da eutanásia.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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