Jogos de computador são benéficos?

Combater inimigos tem efeito de catarse

28 fevereiro 2003
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Para contrariar muitos estudos que têm vindo a público, um grupo de cientistas americanos, da Universidade de Loyola em Chicago, mediu as complexas interacções sociais de um popular jogo de computador e chegou à conclusão que, afinal, faz bem à saúde.
 

 

O jogo de guerra, denominado Counter-Strike, é fácil de executar. Segundo os investigadores: basta entrar no jogo e atirar a tudo que se move com uma quantidade assustadora de armas.
 

 

Através da participação em jogos, entrevistas a jogadores, bem como a leitura dos textos que podem ser adicionados ao jogo, os cientistas chegaram a conclusão de que esses jogos podem expressar uma complexidade maior do que se imagina, assim como revelar o senso de cultura e de comunidade inerentes ao universo dos «games multiplayer».
 

 

 

Segundo os cientistas, as estratégias e tácticas usadas pelos jogadores e equipas de Counter-Strike, reafirmam a importância do lado social de confiança e cooperação entre os indivíduos. Além disso, o estudo também afirma que o uso frequente de piadas e insultos durante o jogo estariam constantemente a trazer a cultura «off-line» do jogador para dentro do jogo, e assim compartilhando-a com outras.
 

 

 

Um outro factor positivo apontado pelo estudo, foi a possibilidade que os jogadores têm de fazer dentro do jogo o que teria consequências terríveis se fossem intenções extravasadas no quotidiano.
 

 

Racismo e xenofobia
 

 

Apesar dos resultados deste estudo serem positivos, entretanto, a Comissão de Direitos Humanos e Oportunidades
 

Iguais da Austrália lançou um alerta sobre o crescente número de jogos de computador vendidos pela Internet que envolvem assassinatos simulados de membros de outras raças e pediu uma acção para conter a sua propagação.
 

 

Segundo a comissão, um novo estudo mostrou que existe cerca de 20 jogos de computador de conteúdo racista anunciados ou distribuídos pela Internet, a maioria dos quais é comercializada por sites norte-americanos.
 

 

«As imagens e os jogos de computadores são particularmente perturbadores na sua capacidade de retirar as pessoas da sua humanidade para torná-las subumanas e descartáveis», disse Bill Jonas, comissário para discriminação racial, em comunicado.
 

 

Para Jonas, esses jogos estão a transformar a violência por motivos raciais em entretenimento, razão pela qual exortou as pessoas a apresentarem queixas formais à comissão caso se deparassem com um desses produtos. O responsável estimulou os grupos reguladores para que encontrem formas de bloquear ou filtrar esses jogos.
 

 

Num dos jogos analisados, os indivíduos podem escolher ter o seu personagem vestido com trajes da organização do Ku Klux Klan ou como os skinheads durante a caçada para matar negros, latino-americanos e judeus.
 

 

Jonas disse, no entanto, ser difícil aplicar as leis australianas anti-racismo a jogos ou outros itens na Internet, assim como nem sempre foi fácil identificar os autores do material racista.
 

 

Há menos de um ano, em Outubro, as autoridades australianas obtiveram uma primeira vitória sobre o ódio racial na Internet, quando um tribunal federal determinou que um site que negava a existência do holocausto e difamava os judeus era ilegal, segundo as leis de discriminação racial.
 

A juíza ordenou ao autor da página para que removesse o material ofensivo do site e divulgasse um pedido de desculpas por escrito ao presidente do Conselho Executivo dos Judeus Australianos. O autor da página foi preso em 1999, na Alemanha, durante sete meses, sob a acusação de incitar os seus leitores ao ódio.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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