Jogadores italianos têm taxa de doença neurológica elevada

Estudo abrange período de 36 anos e avalia 24 mil jogadores

14 abril 2003
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Os jogadores de futebol profissional italianos apresentam taxas elevadas de uma doença neurológica denominada esclerose lateral amiotrófica (ELA) e também de tumores digestivos, segundo os resultados de um levantamento de três anos de exames de doping, feito pelo ministério Público de Turim.
 

 

A pesquisa é parte de um inquérito que começou em 1998, após reclamações do ex-técnico da equipa do Roma, Zdenek Zeman, o qual informou que o uso de drogas era frequente no futebol italiano. A investigação analisou 47 mortes, 16 casos de esclerose lateral amiotrófica, além da ocorrência de cancro no estômago.
 

 

A doença neurológica ficou mais conhecida como doença de Lou Gehrig, depois da morte do famoso jogador de beisebol da equipa New York Yankees, em 1941, e com apenas 38 anos. Segundo os especialistas, a doença provoca enfraquecimento muscular progressivo e, poucos anos depois, a pessoa apresenta dificuldade em falar, engolir e respirar.
 

 

Para o levantamento epidemiológico, a equipa italiana contou com um especialista dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Esse é o maior estudo já realizado entre os jogadores de futebol. O estudo abrangeu um período de 36 anos e avaliou 24 mil jogadores activos entre 1960 e 1996.
 

 

Caso os jogadores apresentassem o mesmo risco de desenvolver a doença que a população em geral, o número estatístico de mortes entre os atletas deveria ser de 0,69, segundo o jornal diário La Stampa. No entanto, as mortes provocadas por essa forma de paralisia fatal já atingiram a taxa de 8.
 

 

Na Itália, a última vítima entre os jogadores de futebol foi Gianluca Signorini, ex-jogador da equipa do Roma, que morreu no ano passado com apenas 42 anos. Entre jogadores de futebol, a taxa de mortes por tumores de cólon, fígado e pâncreas foi duas vezes maior que a apresentada pela população em geral.
 

 

Guariniello fez um relatório completo ao ministro da saúde da Itália, Girolamo Sirchia. E, segundo declarações do responsável ao jornal La Stampa, «o ministro ficou impressionado com a gravidade do fenómeno e prometeu que o governo tomará as medidas apropriadas».
 

 

No entanto, os médicos estão cépticos quanto à associação entre a esclerose lateral amiotrófica e o doping desportivo. «A causa da doença ainda precisa ser determinada,» disse Letizia Mazzini, neurologista do Hospital San Giovanni Bosco, em Turim, à Reuters. «Segundo os levantamentos epidemiológicos, pode haver alguma ligação com o stress muscular. Mas isso são apenas hipóteses.»
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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