Jet lag: tratamento pode passar por uma proteína cerebral

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

31 outubro 2013
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Uma pequena molécula cerebral que sincroniza o relógio biológico dos neurónios pode, em elevadas doses, ter um efeito contrário. Apesar de catastrófica, esta perda temporária de sincronização pode ser útil, uma vez que ajuda o relógio a adaptar-se mais rapidamente às alterações bruscas do ciclo de luz e escuridão como aquelas produzidas no jet lag e no trabalho por turnos, dá conta um estudo publicado nos 'Proceedings of the National Academy of Sciences".
 

O relógio circadiano principal dos mamíferos é constituído por 20.000 células nervosas que formam o núcleo supraquiasmático, e que têm um quarto do tamanho do grão de arroz,. Cada neurónio deste núcleo mantem o tempo, mas como são células diferentes, têm consequentemente um ritmo ligeiramente diferente.
 

“Elas são como que uma sociedade onde cada célula tem a sua opinião sobre a hora do dia. Elas necessitam de se entender sobre a hora do dia para coordenar os ritmos diários do estado de alerta e do metabolismo”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Erik Herzog.
 

O investigador explica que as células comunicam entre si através da molécula VIP e é através dela que os neurónios “dizem“ uns aos outros que hora do dia é que pensam ser. Contudo, na ausência da VIP ou do seu recetor, as células perdem a sincronia.
 

Os investigadores da Universidade de Washington, nos EUA, referem que estavam a tentar perceber de que forma a VIP sincroniza as células, quando verificaram que níveis elevados desta molécula conduziam à perda do sincronismo das células. Quanto mais elevados eram os níveis de VIP maior era a falta de sincronismo entre as células.
 

Perante estes resultados, os investigadores pensaram que talvez esta falta de sincronização poderia favorecer a sensibilidade das células aos sinais ambientais. Se as células estiverem mais sensíveis vão ter uma maior capacidade de se ajustarem às alterações de horário. O estudo refere que é importante que haja uma rápida adaptação aos sinais ambientais. O relógio biológico evolui para se ajustar às mudanças lentas de estação, mas não às mudanças abruptas que ocorrem frequentemente na vida moderna. Na verdade, mesmo parecendo benigno, o horário de verão aumenta o risco de acidentes de tráfico e enfartes agudo do miocárdio.
 

Neste contexto, os investigadores quiserem averiguar se a adição de uma dose extra de VIP melhoraria a capacidade do relógio biológico de fazer grandes ajustes. O estudo apurou que a injeção de VIP a ratinhos acelerava a sua adaptação a um novo horário.   
 

“Estes resultados são muito emocionantes. Pela primeira vez foi demonstrado que níveis um pouco mais elevados de uma substância do cérebro, melhora na realidade o modo como o sistema circadiano funciona”, refere o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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