Jejum intermitente pode ajudar a combater diabetes e obesidade

Estudos publicados na revista “Cell metabolism”

05 dezembro 2014
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Restringir o acesso aos alimentos entre oito a doze horas em vez de um acesso constante pode ajudar a prevenir ou até mesmo reverter a obesidade e a diabetes tipo 2, sugerem dois estudos publicado na revista “Cell Metabolism”.
 

Através de estudos realizados em ratinhos, os investigadores do Instituto Salk, nos EUA, também constataram que o fato de ter dias ocasionais de acesso livre aos alimentos não afetava os benefícios conseguidos através da dieta adotada.
 

Estudos anteriores realizados pela mesma equipa de investigadores já tinham apurado que a alimentação com horários restritos poderia ajudar a impedir a obesidade causada pela adoção de uma dieta com elevado teor de gorduras. Contudo, ainda não tinha sido testado qual o efeito da restrição de horários perante outros desafios nutricionais ou existência de pré-diabetes.
 

Assim, nestes dois estudos, os investigadores, liderados por Satchidananda Panda, testaram a alimentação com horário restrito perante vários desafios nutricionais. Verificou-se que nos ratinhos alimentados com nutrientes ricos em gorduras e açúcar, a estratégia poderia ajudar a impedir o desenvolvimento de problemas metabólicos, sendo os benefícios proporcionais à duração do jejum
 

Curiosamente, observou-se que estes efeitos benéficos prolongaram-se mesmo quando a alimentação com horários restritos foi temporariamente interrompida, permitindo que os ratinhos tivessem livre acesso à comida durante o fim-de-semana. Os investigadores observaram ainda que a alimentação com horários restritos impediu ou reverteu a progressão de doenças metabólicas em ratinhos com obesidade e diabetes tipo 2 pré-existentes.
 

“Verificámos que os animais alimentados ao longo de uma janela de oito a 12 horas apresentavam vários benefícios protetores e terapêuticos comparativamente com aqueles que ingeriram o mesmo número de calorias, a partir do mesmo tipo de alimentos, a qualquer altura do dia”, referiu o investigador.
 

No segundo estudo, foi analisado o efeito dos diferentes padrões dietéticos nas bactérias que residiam no intestino e que constituem o microbioma intestinal. Os investigadores verificaram que o microbioma era muito dinâmico, apresentando flutuações cíclicas diárias na proporção de bactérias. Observou-se que a obesidade induzida pela dieta perturbou muitos destes ciclos. No entanto, estes foram parcialmente restaurados através da alimentação com horários restritos.
 

“Para os biólogos, estes dados fornecem um novo paradigma para entender a etiologia das doenças metabólicas e os microbiomas intestinais indesejáveis”, disse Satchidananda Panda.
 

Os investigadores acrescentaram que estes resultados também forçam a realização de novos estudos para testar se a alteração dos padrões alimentares pode ser um primeiro passo, de baixo custo, para a prevenção e tratamento de doenças metabólicas associadas à obesidade.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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