James Watson apoia criação de banco genético internacional

Pioneiro do ADN diz que projecto tornaria vida mais segura

04 fevereiro 2003
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Um dos pioneiros da estrutura molecular do ácido desoxirribonucleico (ADN), James Watson, defendeu a criação de uma base de dados genética de todos os cidadãos norte-americanos e europeus para melhorar a segurança no mundo.
 

 

Quando se assinalam 50 anos sobre a descoberta da dupla hélice do ADN, realizada em colaboração com Francis Crick, Watson considerou que é necessário sobrepor a necessidade de segurança às preocupações sobre a privacidade das pessoas.
 

 

Numa entrevista publicada ontem pelo jornal «The Independent», o cientista norte-americano de 75 anos considera que esse banco genético «tornaria a vida mais segura».
 

 

«O sacrifício dessa forma concreta de anonimato parece um preço razoável a pagar, desde que se garanta um controlo sensato do acesso aos dados», disse.
 

 

«Não é que seja insensível às preocupações sobre a privacidade individual, ou a um possível uso inadequado da informação genética, mas esta medida tornaria a vida mais segura», acrescentou.
 

 

 

Watson e a história
 

 

James Watson, que actualmente preside ao laboratório Cold Harbor de Nova Iorque, descobriu em 1953, juntamente com o britânico Crick, a formação em hélice dupla da molécula de ADN, que contém as características genéticas que identificam cada indivíduo.
 

 

Esta descoberta, publicada em Abril desse ano na revista científica britânica «Nature», é considerada um dos mais importantes achados científicos da História.
 

 

Watson, que em 1962 recebeu o Prémio Nobel da Medicina, foi o primeiro director do Projecto do Genoma Humano, um consórcio público que tem por missão decifrar a sequência dos genes que actuam no organismo.
 

 

Conhecido pelas suas opiniões polémicas, o cientista assinalou na entrevista que, num mundo instável e onde a ameaça do terrorismo é crescente, «queremos saber quem são as pessoas».
 

 

«É difícil acreditar que dentro de cem anos não existirá um banco genético internacional», sublinhou.
 

Sobre as preocupações em relação à violação dos direitos civis a que poderia conduzir essa base de dados genética, Watson alega que existe um grande desconhecimento do público acerca das matérias científicas.
 

 

«A falta de compreensão em relação à complexidade científica torna-nos susceptíveis às teorias da conspiração», realçou o cientista.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

 

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