Israelitas inventam micro-computador de ADN

É pequeno mas muito poderoso e preciso

23 novembro 2001
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Água, fitas de ADN, duas enzimas e moléculas com alto teor energético. São estes os ingredientes usados para criar um novo computador. A «receita» foi desenvolvida por cientistas do Instituto Weizmann de Ciência, em Israel. Trata-se de um sistema em que as moléculas de ADN (ácido desoxirribonucléico, a estrutura química do código genético) são usadas para processar informação, exactamente como fazem os computadores tradicionais.
 

 

Mas, e ao contrário dos velhos computadores, estes são pequenos e poderosos. Cerca de um bilião destes novos micro-computadores cabe, imagine-se, num pequeno tubo de ensaio. Apesar da sua pequenez, nada os impede de executar um bilhão de operações por segundo, com 99,8 por cento de precisão.
 

 

No estudo publicado hoje na revista Nature, a equipa liderada por Ehud Shapiro mostram que esse sistema, de facto, funciona.
 

 

Em vez de usar símbolos ou fórmulas para resolver um problema, o software do micro-computador é feito de moléculas de ADN - que armazena e processa a informação de organismos vivos.
 

 

O ADN pode guardar mais informações num reduzido centímetro cúbico do que em um bilião de CDs. A molécula da dupla hélice que contém dados de genes humanos em quatro bases químicas - conhecidas pelas letras A, T, C e G - possui uma enorme capacidade de memória que os cientistas começam agora a tentar desvendar.
 

 

No artigo publicado na revista “Nature”, a equipa israelita descreve o computador de ADN como um modelo molecular de uma das mais simples máquinas de computação - capaz de responder sim ou não a algumas questões.
 

 

Os dados são representados por pares de moléculas de uma cadeia de ADN, onde duas enzimas agem como hardware, que lêem, copiam e manipulam o código. Quando tudo está misturado no “tubo de ensaio”, o software e o hardware operam na molécula de entrada para criar uma de saída.
 

O computador de ADN também tem um consumo de energia muito baixo, por isso, se for colocado dentro da célula, não precisa de muita energia para funcionar.
 

 

A computação por ADN é um ramo recente da ciência que surgiu há menos de uma década, quando Leonard Adleman, da Universidade do Sul da Califórnia, deu o primeiro passo para o aparecimento desta nova área científica, ao usar ADN num tubo de ensaio quando tentava resolver um problema matemático.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI - Médicos Na Internet
 

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