Isolamento social na infância afeta função cognitiva

Estudo publicado na “Science”

18 setembro 2012
  |  Partilhar:

As crianças que sofrem de negligência grave ou isolamento social apresentam distúrbios cognitivos e sociais na idade adulta. O estudo agora publicado na “Science” mostra como estes distúrbios surgem.
 

Neste estudo, os investigadores da F.M. Kirby Neurobiology Center, nos EUA, estudaram a privação social em ratinhos que foram, durante duas semanas, isolados.
 

Os investigadores verificaram que quando o isolamento ocorria durante um período crítico, três semanas após o nascimento, o processo de maturação das células conhecidas por oligodendrócitos era impedido no córtex pré-frontal, uma zona do cérebro que desempenha um papel importante na função cognitiva e comportamento social. Como resultado, as fibras nervosas apresentavam menos mielina, a qual é produzida pelos oligodendrócitos, tendo os ratinhos apresentado distúrbios na interação social e memória de trabalho.
 

A mielina é essencial para impulsionar a rapidez e eficácia da comunicação entre as diferentes áreas do cérebro. Desta forma, a diminuição da mielinização poderá explicar os distúrbios cognitivos e sociais nos ratinhos.
 

O líder do estudo, Gabriel Corfas, já tinha previamente constatado que quando a mielinização é afetada produz-se uma alteração na sinalização dopaminérgica no cérebro, o que pode também explicar estes novos achados.
 

O estudo também apurou que o fator tempo era relevante para os efeitos do isolamento social. Caso os animais tivessem sido isolados durante um período específico do seu desenvolvimento, não conseguiam recuperar mesmo após terem sido novamente colocados no ambiente social habitual.
 

Os investigadores também identificaram a via de sinalização molecular através da qual o isolamento social conduz a uma mielinização anormal. Os cérebros dos ratinhos submetidos a isolamento apresentavam níveis inferiores de uma proteína essencial ao desenvolvimento do sistema nervoso, a neuregulina-1 (NRG1).
 

“Estas observações indicam que os mecanismos encontrados são necessários para que o cérebro beneficie desde cedo do contacto social”, revelou em comunicado de imprensa Gabriel Corfas.
 

Os autores referem que existem numerosos distúrbios neuropsiquiátricos, como a esquizofrenia, e doenças de alterações de humor que estão associadas a alterações patológicas na substância branca, mielinização e na via de sinalização da NRG1 e do seu recetor. Assim, os resultados deste estudo poderão ajudar na formulação de novas abordagens terapêuticas contra estas doenças.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.  
 

Partilhar:
Classificações: 2Média: 5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.