Irregularidade menstrual em adolescentes indica outras doenças

Estudo apresentado na revista “Fertility and Sterility”

31 maio 2011
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As adolescentes com ciclos menstruais irregulares podem ser mais propensas a ter excesso de peso ou obesidade, bem como a apresentar os primeiros sinais de diabetes e de doenças cardíacas. Essa relação é bem conhecida nas mulheres adultas, mas este novo estudo, apresentado na revista “Fertility and Sterility”, sugere que os médicos poderiam identificar precocemente os riscos.

 

"Existirá a ideia errada na medicina do adolescente (…) que tem de passar alguns anos após a menarca para que tudo se resolva e, por isso, a irregularidade menstrual na adolescência não é uma preocupação (nessa altura da vida das adolescentes) ", disse Charles Glueck, co-autor do estudo, do Jewish Hospital de Cincinnati, EUA, acrescentando que essa ideia está errada.

 

Para o estudo, a equipa acompanhou 370 raparigas de 14 anos de um estudo maior realizado pelo Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos EUA. Uma vez por ano, os médicos perguntavam-lhes sobre quando tinha sido o último ciclo menstrual.
Periodicamente, os investigadores mediam os níveis das hormonas sexuais, glicose e insulina (marcadores de risco de diabetes) e pressão arterial. O peso, altura e circunferência abdominal também eram controlados. A equipa definiu um ciclo menstrual irregular como aquele que demora mais de 42 dias (desde o primeiro dia do último ciclo), um critério que reuniu 2% das meninas.

 

Entre os 14 e os 19 anos, 269 raparigas relataram ter períodos regulares, 74 tiveram apenas um período irregular, 19 tiveram dois ciclos irregulares e oito responderam que tiveram períodos irregulares duas ou mais vezes. Os resultados mostram que as raparigas com mais períodos irregulares tinham mais peso e engordaram mais durante o estudo do que as restantes jovens de 14 anos. Nessa idade, as raparigas também tinham níveis altos de testosterona, a hormona sexual masculina.

 

Aos 25 anos, as que não tinham períodos irregulares apresentaram um índice de massa corporal (IMC) de 26,8 (excesso de peso leve), enquanto  participantes com três ou mais períodos irregulares tinham um IMC de 37,8 (obesidade grave). O IMC das raparigas com dois ou mais períodos irregulares estavam entre esses dois valores. As irregularidades menstruais também foram associadas com maiores níveis de açúcar e de insulina aos 25 anos.

 

De acordo com o estudo, os resultados não provam que os períodos irregulares façam com que as raparigas aumentem os níveis de glicose ou de insulina, mas podem ser um sinal de outro problema, nomeadamente de um mau funcionamento do metabolismo. "Essas relações que são tão evidentes na adolescência e se projectam na juventude são as mesmas que, duas ou três décadas mais tarde, podem causar doença cardiovascular e diabetes tipo 2", disse, em comunicado, o autor do estudo, acrescentando que os períodos irregulares seriam um sintoma da síndrome do ovário poliquístico, um distúrbio hormonal que causa infertilidade e obesidade.

 

Detectar na adolescência significa que a doença pode ser tratada com sucesso, uma outra razão para que os médicos prestem atenção a períodos irregulares em idades mais precoces, adverte o autor do estudo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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