IPO/Porto administra terapia para cancro do sangue com células geneticamente modificadas

Terapia é pioneira em Portugal

20 maio 2019
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O Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto administrou, pela primeira vez em Portugal, uma terapia no tratamento do cancro do sangue assente na modificação genética de células.
 
Em declarações à Lusa, o diretor da Clínica de Onco-Hematologia, José Mário Mariz, explicou que esta terapia se aplica apenas a dois tipos de tumores – linfomas e leucemias – e em doentes cuja doença não está controlada, mesmo depois de submetidos a todas as terapêuticas convencionais.
 
O médico adiantou que, esgotando todas as possibilidades de tratamentos, esses doentes ficam sem opções e, “infelizmente”, com uma esperança média de vida de seis meses.
 
Com a administração desta nova terapia, José Mário Mariz revelou que 40% desses doentes têm a doença controlada ao fim de dois anos. “Não sendo excecional é bastante melhor do que o que tínhamos até agora”, frisou.
 
Apesar de falar num “grande avanço”, o clínico sublinhou que “infelizmente” este tratamento não vai resolver todos os cancros de sangue, mas é uma importante “arma terapêutica”.
 
Quanto ao processo em si, José Mário Mariz explicou que a “grande inovação” da terapia passa por células geneticamente modificadas.
 
Segundo o médico, o processo começa com a recolha de linfócitos dos doentes que, posteriormente, são enviados para um laboratório nos EUA onde vão ser geneticamente modificados para detetar e destruir as células cancerígenas.
 
“Este processo, desde a colheita ao laboratório e ao regresso ao hospital de origem, demora cerca de quatro semanas. As células chegam criopreservadas e podem manter-se por um ano”, disse.
 
O presidente do Conselho de Administração do IPO/Porto, Laranja Pontes, recordou que há vários anos que assumiu que a inovação e qualidade são dois dos vetores a perseguir. Para poder acolher esta nova terapia, Laranja Pontes falou em “muito tempo de sacarificação, organização de serviços, criação de novas competências e recrutamento de pessoal”.
 
Esta terapia está a começar a ser instalada em alguns países da Europa, adiantou, acrescentando que Portugal provou que também é capaz nesta matéria.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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