IPO contra ensaios clínicos como forma de acesso a novos fármacos

IPO conduz vários ensaios clínicos

14 maio 2014
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Francisco Ramos, administrador do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, mostra-se contra a utilização de ensaios clínicos como forma de acesso a novos fármacos, apurou a agência Lusa.
 

O administrador defende a realização de ensaios clínicos no âmbito da investigação, mas não como uma forma alternativa de acesso a novos medicamentos.
 

Segundo Francisco Ramos, trata-se de “uma perspetiva errada e que cria uma falsa expectativa, porque ninguém pode afirmar que durante um ensaio clínico pode esperar um determinado resultado do uso desse medicamento”.
 

De acordo Francisco Ramos, o IPO de Lisboa tem atualmente vários ensaios clínicos em curso. “Deve ser nesse âmbito [da investigação clínica] que deve ser encarada a realização de um ensaio clínico, e não como uma forma alternativa e barata de um medicamento ser disponibilizado aos doentes”, disse em entrevista à agência Lusa.
 

O presidente do conselho de administração deste IPO recusa a ideia de introduzir novos medicamentos através dos ensaios clínicos e expressa esperar que a generalidade dos hospitais públicos o continue a fazer. “Os ensaios clínicos não servem para introduzir novos medicamentos nos hospitais, servem para fazer investigação clínica, validar as premissas que esses novos produtos precisam de provar antes de serem utilizados na prática clínica”, adiantou.
 

“Se estamos perante uma situação de ensaio clínico, estamos numa situação em que um determinado medicamento está em fase de provar o que se propõe fazer. Deve ser nesse âmbito que deve ser encarada a realização de um ensaio clínico, e não como uma forma alternativa e barata de um medicamento ser disponibilizado aos doentes”, explicou.
 

“É muito importante separar essas duas coisas e não aceitar o argumento de que os hospitais públicos devem aderir aos ensaios clínicos como uma forma de poupar dinheiro. Essa é uma visão errada, distorcida e perigosa” adiantou ainda.
 

O administrador conclui que “ao pôr esse argumento em cima da mesa estamos a admitir que se deve proporcionar o acesso a determinados medicamentos a determinados doentes, antes desses medicamentos terem demonstrado essa eficácia”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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