Ioga melhora sintomas da fibrilhação auricular

Estudo publicado no “European Journal of Cardiovascular Nursing”

16 março 2016
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A prática de ioga melhora a qualidade de vida dos pacientes com fibrilhação auricular paroxística. O estudo publicado no “European Journal of Cardiovascular Nursing” também sugere que esta atividade diminui a frequência cardíaca e a pressão arterial.
 
A fibrilhação auricular é um distúrbio comum do ritmo cardíaco, que afeta 1,5 a 2% da população no mundo desenvolvido. Nesta condição, o coração bombeia sangue a um ritmo irregular e, frequentemente, a uma frequência anormalmente elevada. Isto interrompe o fluxo sanguíneo nas câmaras do coração e aumenta o risco de formação de coágulos de sangue, o que pode resultar num acidente vascular cerebral. Atualmente, ainda não existe cura para a fibrilhação auricular. Os tratamentos utilizados apenas conseguem aliviar os sintomas e prevenir o risco de complicações. Na fibrilhação auricular, os episódios duram geralmente menos de 48 horas e param por si só, mas podem durar até sete dias.
 
Os episódios da fibrilhação auricular são muitas vezes acompanhados por dor torácica, tonturas e falta súbita e grave de ar. Estes sintomas são desagradáveis e deixam os pacientes ansiosos e nervosos.
 
"Muitos pacientes com fibrilhação auricular paroxística não são capazes de viver a vida da forma como gostariam e recusam jantares com amigos, concertos e viagens, pois têm receio de terem um episódio de fibrilhação auricular paroxística ", revelou, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Maria Wahlström.
 
Alguns pacientes utilizam terapias complementares para os ajudar a lidar com a condição. Neste estudo, os investigadores da Universidade de Sophiahemmet e do Instituto Karolinska, na Suécia, decidiram averiguar quão eficaz era uma destas terapias, o ioga.
 
O estudo incluiu a participação de 80 pacientes, que foram divididos em dois grupos: um foi convidado a praticar ioga e o outro funcionou como controlo. Todos os participantes receberam o tratamento habitual com medicação, cardioversão e ablação por cateter, de acordo com as necessidades. As sessões de ioga tinham a duração de uma hora e ocorreram uma vez por semana, ao longo de 12 semanas, com um instrutor experiente. Este programa incluía movimentos suaves, respiração profunda e meditação.
 
A qualidade de vida, a frequência cardíaca e a pressão arterial foram avaliados no início e no fim do estudo. A qualidade de vida, que inclui a saúde física e mental, foi avaliada através dois questionários validados: o Short-Form Health Survey (SF-36, sigla em inglês) e o EuroQoL-5D (EQ-5D, sigla em inglês) Visual Analogue Scale (VAS, sigla em inglês).
 
O estudo apurou que, após 12 semanas, o grupo que praticou ioga tinha pontuações mais elevadas no SF-36, uma menor frequência cardíaca e pressão sistólica e diastólica mais baixas, comparativamente com os indivíduos incluídos no grupo de controlo. Verificou-se também que os pacientes que praticaram ioga apresentaram melhorias nas pontuações do SF-36 (indicador do estado de saúde mental) e do EQ-5D VAS (indicador da qualidade de vida).
 
Maria Wahlström sugere que os exercícios de respiração profunda do ioga podem ter ajudado os pacientes a equilibrar o sistema nervoso parassimpático e simpático, levando a uma menor variação da frequência cardíaca. Adicionalmente, os exercícios de respiração e movimento também podem ser efeitos benéficos na pressão arterial.
 
“O ioga pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes com fibrilhação auricular paroxística, porque lhes dá um método para ganhar algum autocontrolo sobre os seus sintomas", concluiu a investigadora.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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