Investigadores portugueses desenvolvem tratamento para cancro da mama triplo negativo

Investigação de empresa de Coimbra

17 abril 2015
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Uma empresa de Coimbra encontra-se a desenvolver uma nanopartícula que poderá resultar num tratamento para o cancro da mama triplo negativo, um tipo de tumor mais agressivo e para o qual não existe, atualmente, um tratamento específico.
 
Em declarações à agência Lusa, a investigadora Vera Dantas Moura, responsável da empresa Treat U, do grupo Bluepharma, afirmou que a Pegasemp - uma nanopartícula inteligente, 80 vezes menor que uma célula, que reconhece os tumores atuando diretamente nos alvos cancerígenos - "está a trazer esperança" aos doentes com cancro da mama triplo negativo.
 
A nanopartícula atua na corrente sanguínea, reconhecendo tumores e libertando o tratamento de quimioterapia como se de uma granada se tratasse, o que, de acordo com a investigadora, "permite um tratamento mais eficaz e menos doloroso".
 
A investigação concluiu no início do ano os testes laboratoriais em animais saudáveis, concretamente sobre o perfil toxicológico, um estudo que pretende demonstrar a segurança da utilização do medicamento e que está pronta para iniciar em 2015 ensaios clínicos em humanos.
 
De acordo com Vera Dantas Moura, os resultados dos testes laboratoriais demonstraram que a Pegasemp promete ser segura: "Para haver níveis toxicamente visíveis, a dose teria de ser aumentada duas a quatro vezes", indicou.
 
Os ensaios clínicos decorrem em três fases. As duas primeiras fases deverão realizar-se em Portugal, em mais de uma dezena de centros de saúde e hospitais, através de uma empresa do grupo farmacêutico Bluepharma.
 
A primeira fase dos ensaios clínicos, explicou a investigadora à Lusa, "pretende explorar a dose que o paciente consegue tolerar" e deverá decorrer durante cerca de seis meses. Na segunda fase dos ensaios, que decorrerão ao longo de um ano, a dose identificada na primeira fase é administrada aos doentes para aferir da eficácia do medicamento.
 
A terceira fase implica o envolvimento de unidades de saúde diferenciadas "em países diferentes" por parte de grandes empresas farmacêuticas, antes do medicamento poder ser aprovado pelas entidades competentes e entrar em comercialização.
 
Vera Dantas Moura disse ainda que a Pegasemp possui já três patentes registadas nos EUA e está "pronta para ser produzida" à escala industrial.
 
"É um medicamento inteiramente português, pronto para ser utilizado", referiu, dizendo esperar que, após os ensaios clínicos, o medicamento possa chegar ao mercado dentro de três anos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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