Investigadores portugueses descobrem novo mecanismo responsável pela origem da doença de Parkinson

Estudo publicado na “Human Molecular Genetics”

16 agosto 2012
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Um grupo de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (UC) descobriu que a doença de Parkinson tem como causa principal a disfunção da mitocôndria, que é responsável pela produção de energia nas células. A descoberta vem contrariar ”algumas das teses científicas” sobre a doença.

 

A equipa realizou a investigação com base em células de doentes portadores da patologia de Parkinson, e foi desenvolvida ao longo dos últimos quatro anos, tendo contado com o financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

 

Segundo a líder da equipa de investigadores, Sandra Morais Cardoso, a doença de Parkinson afeta “mais de quatro milhões de pessoas em todo o mundo” e “em mais de 90 por cento dos casos” tem origem desconhecida.

 

A doença de Parkinson é uma patologia degenerativa do sistema nervoso central, com um progresso lento, manifestando-se através de rigidez muscular, tremores, diminuição da mobilidade e instabilidade na postura.

 

Este estudo vem demonstrar que “a deficiência no tráfego intracelular (autoestradas celulares) é provocada pela disfunção das mitocôndrias dos doentes”, que são responsáveis pela produção de energia nas células.

 

Sandra Morais Cardoso adianta que “a disfunção mitocondrial é o evento que está na base da deficiente autofagia, o mecanismo através do qual ocorre a degradação de organelas disfuncionais e de proteínas danificadas”, permitindo eliminar o lixo biológico que se acumula ao longo do envelhecimento e que se não for expulso conduz à morte celular.

 

Daniela Moniz Arduíno, aluna de doutoramento e a primeira autora deste estudo, sustenta que a investigação vem igualmente demonstrar que a ativação de uma autofagia deficiente por si só “é pior para o envelhecimento das células”, o que prejudica ainda mais o paciente.

 

“Até agora julgava-se que a ativação da autofagia era boa para as células, mas verifica-se que isso não basta nos doentes de Parkinson, há também que promover as autoestradas celulares”, defende Sandra Morais Cardoso. A descoberta, “infelizmente, não se traduz numa cura da doença a curto prazo” mas “fornece novas pistas importantes para o desenvolvimento de futuros fármacos que previnam a interrupção do tráfego e, deste modo, assegurem o normal transporte celular”, continua.

 

O próximo desafio consiste em perceber “como a função da mitocôndria leva à destabilização das autoestradas celulares”, acrescenta a investigadora.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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