Investigadores fabricam vírus da poliomielite em laboratório

Receita teve por base sequências de genes encomendadas via email

11 julho 2002
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Investigadores norte-americanos conseguiram desenvolver em laboratório uma versão do vírus da poliomielite, seguindo uma receita descarregada da Internet e utilizando sequências de genes encomendadas via correio electrónico.
 

 

O objectivo da experiência, publicada na revista Science, foi provar a facilidade com que grupos terroristas podem fabricar armas biológicas altamente mortíferas.
 

 

Os investigadores da Universidade de Nova Iorque criaram o vírus, injectando-o depois em ratos para testar a sua eficácia. Os animais ficaram paralisados, morrendo em seguida.
 

 

"A razão desta experiência foi demonstrar que pode ser feito", afirmou Eckard Wimmer, líder da equipa de investigação biomédica e co- autor do estudo.
 

 

Wimmer afirmou que a demonstração laboratorial provou que erradicar um vírus na natureza pode não significar que este desapareça para sempre.
 

 

Actualmente, acrescentou, os bioquímicos podem reconstituir estes vírus a partir de "receitas" disponíveis em arquivos científicos e comprar o material biológico necessário a empresas através da Internet.
 

 

"O vírus da poliomielite recriado em laboratório é uma das pragas humanas mais simples, sendo muito fácil de fazer", notou Jeronimo Cello, primeiro autor do estudo.
 

 

Vírus como a varíola seriam muito mais complicados de montar mas, acrescenta o investigador, "provavelmente no futuro será possível fazê-lo".
 

 

A varíola foi erradicada da natureza mas espécimes laboratoriais foram guardados nos Estados Unidos e na antiga União Soviética.
 

 

Alguns peritos temem agora que alguns destes espécimes tenham sido guardados para serem usados mais tarde como armas biológicas, sobretudo depois dos ataques terroristas via correio com a bactéria do anthrax.
 

 

As autoridades sanitárias norte-americanas, preocupadas com uma epidemia de varíola causada por um ataque bioterrorista, estão a armazenar vacinas suficientes para proteger toda a população dos Estados Unidos.
 

 

No entanto, por outro lado, a poliomielite está prestes a ser erradicada em todo o mundo e existem planos para parar a vacinação contra a doença.
 

 

Segundo Wimmer, esta política deve ser reconsiderada, já que parar a vacinação poderia originar uma geração de pessoas altamente susceptíveis à poliomielite, aumentando o seu potencial como arma.
 

 

"A nossa mensagem é que devem ser guardadas vacinas para cada agente que se tenta erradicar" afirmou.
 

 

O investigador sugeriu também a criação de leis que dificultem a venda de material biológico, fazendo com que os fornecedores sejam obrigados a reportar encomendas suspeitas.
 

 

De acordo com Wimmer, os fornecedores de material biológico podem verificar informaticamente em apenas alguns segundos se determinadas sequências genéticas podem ou não ser usadas para fabricar vírus perigosos.
 

 

Fonte: Lusa
 

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