Investigadores fabricam pele humana sensível ao cancro
18 julho 2001
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Investigadores franceses conseguiram produzir pele humana especialmente sensível ao cancro, o que deverá ter importantes consequências ao nível da terapia genética e da indústria de cosméticos.
 

 

Trata-se de "melhorar a prevenção dos cancros cutâneos, não apenas junto de pacientes com xeroderma pigmentoso (XP), que contribuíram para o estudo, mas também na população comum exposta aos efeitos nocivos do sol", indicaram os cientistas, cujos trabalhos aparecem registados na academia das ciências norte- americana (PNAS).
 

 

Foi a partir de pequenas amostras de pele recolhidas em pacientes que a equipa de Thierry Magnaldo e de Alain Sarasin (do laboratório de estudo das relações de instabilidade genética e cancro, CNRS-Villejuif) desenvolveu uma técnica de reconstrução e de cultura in vitro da pele XP, servindo-se de métodos de cultura de pele humana utilizados no tratamento de grandes queimaduras.
 

 

Os trabalhos foram conduzidos juntamente com investigadores do fabricante de cosméticos LÈOreal.
 

 

O xeroderma pigmentoso (XP) é uma doença genética rara, sendo muitas vezes mortal devido à forte predisposição para o cancro de pele induzida pelos raios ultravioleta (UV) solares.
 

 

Na população normal, um sistema de reparação ao nível do ADN permite em certa medida compensar os danos causados pelos UV.
 

 

Pelo contrário, nas pessoas que sofrem de XP existe uma anomalia ao nível dos genes implicados no processo de reparação que favorece o aparecimento de cancros da pele, quase sempre na origem da sua morte prematura.
 

 

"A sua pele apresenta uma sensibilidade aos raios ultravioleta muito elevada e revela, por outro lado, alterações na diferenciação e multiplicação celular até agora desconhecidas", sublinha a equipa.
 

 

Essas alterações podem desempenhar um papel chave no processo da génese do cancro.
 

 

"Graças ao desenvolvimento do primeiro sistema de reconstrução de pele humana hipersensível à radiação ultravioleta, os mecanismos moleculares e celulares da génese do cancro cutâneo vão poder ser dissecados ao nível do tecido", assinalam os investigadores que exploram as possibilidades da terapia genética.
 

 

Os cancros da pele são os tumores mais frequentes no homem e a sua incidência aumenta com a exposição ao sol e aos raios ultravioleta.
 

 

 

Lusa
 

 

 

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