Investigadores desidratam células e ressuscitam-nas após uma semana

Poderemos estar perante uma revolução nos métodos de transporte de alimentos e de detecção de químicos nocivos para os seres humanos.

24 abril 2001
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Cientistas conseguiram desidratar células humanas e após estas permanecerem mais de uma semana nesse estado, a mesma equipa de investigadores foi capaz de lhes devolver a vida.
 

 

Se esta experiência pioneira conseguir ser facilmente “industrializada”, poderemos estar perante uma revolução nos métodos de transporte de alimentos já que estes poderiam, teoricamente, ser transportados durante vários dias sem necessitarem de qualquer tipo de refrigeração.
 

 

A equipa liderada pelo Dr. Malcom Potts, um bioquímico do “Virginia Tech Center for Genomics” em Blacksburg (EUA), conseguiu desidratar células renais humanas, deixar que estas permanecessem assim durante mais de uma semana e reidratá-las de forma a que cerca de 40% destas células conseguiram crescer e proliferar em meios de cultura laboratoriais. Mas, segundo os mesmos autores, “ainda é necessário apurar se estas células permanecem completamente funcionais após este processo”.
 

 

Para conseguir desidratar as células, um processo que normalmente as mataria, os investigadores adicionaram ao citoplasma celular uma molécula produzida por uma bactéria, a Nostoc cummune. Esta bactéria consegue sobreviver durante anos em ambientes extremamente secos, e quando encontra água “ressuscita” para a vida, crescendo e multiplicando-se.
 

 

Várias experiências confirmaram que juntando esta molécula a células renais humanas e deixando-as desidratar à temperatura ambiente, cerca de 40% destas sobrevivem o processo de desidratação-reidratação.
 

 

Potts afirma ainda desconhecer o mecanismo exacto através do qual a molécula depurada da bactéria Nostoc cummune permite que as células sobrevivam a períodos tão longos de desidratação. Mas, avança que, de alguma forma, esta substância parece regular a perda e a recaptação da água por parte da célula além de conferir uma “protecção estrutural” à membrana celular.
 

 

“Esta tecnologia poderá ser muito importante no futuro, apresentando aplicações variadíssimas” afirmou Potts. Será possível transportar células para áreas remotas, onde poderão funcionar como “biosensores” para a detecção de químicos nocivos para os seres humanos. Potts tem uma concessão do departamento da defesa norte-americano para explorar a tecnologia.
 

 

Fonte: Reuters
 

 

Adaptado por:
 

David Ferreira
 

MNI - Médicos na Internet

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