Investigadores descobrem proteína traiçoeira no cancro

Descoberta poderá ajudar na pesquisa de um medicamento capaz de deter metásteses

24 junho 2002
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Uma proteína conhecida por contribuir para que o sistema imunitário estabeleça uma linha de defesa contra a infecção acabou por revelar uma característica dúplice ao ser descoberta em células cancerosas removidas de carcinomas agressivos da mama e do cólon, segundo um estudo publicado ontem na Nature Cell Biology.
 

 

A descoberta, segundo os seus autores, poderá ajudar na pesquisa de um medicamento capaz de deter a metástase de tumores. A metástase ocorre quando as células cancerosas de um tumor se infiltram nos vasos sanguíneos ou linfáticos, conseguindo assim uma via de transporte para outra região do corpo, por vezes bastante afastada do foco inicial, onde começam a desenvolver-se. É este processo único das células cancerosas que torna a doença tão perigosa e temível.
 

 

Os cientistas sabem há bastante tempo que, para que um tumor se dissemine dessa forma, é necessário que determinados genes se activem de modo a produzirem as enzimas necessárias à penetração das paredes dos vasos sanguíneos ou linfáticos. Assim, Sebastien Jauliac, que liderou o estudo, Alex Toker e os colegas tentaram determinar como isso acontece e centraram a atenção na acção de um grupo de proteínas conhecidas como factores de transcrição, incluindo uma chamada NFAT (em inglês, nuclear factor of activated T cells).
 

 

A proteína NFAT, que é fundamental para uma reacção eficaz das células de defesa do organismo, foi identificada há cerca de 20 anos e tornou-se alvo preferencial da ciclosporina A, o medicamento usado para suprimir as defesas imunitárias de pacientes que sofreram transplantes, de forma a evitar rejeições.
 

 

No estudo, os investigadores ficaram surpreendidos ao descobrirem níveis elevados da NFAT em células cancerosas, pelo que usaram modelos laboratoriais de invasão do corpo por células cancerosas - com amostras de tecidos de cinco pacientes com cancro da mama que se espalhou aos gânglios linfáticos - para avaliarem a contribuição da proteína para a metástase de tumores. E os resultados que conseguiram demonstraram que a NFAT estava de facto a contribuir para o comportamento agressivo de células cancerosas, em associação com uma outra proteína, a alpha 6 beta 4 integrin, a qual foi já ligada a diversos marcadores indicativos de metástases.
 

 

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