Investigadores criam o maior mapa proteico de sempre

Estudo publicado na revista “Nature”

10 setembro 2015
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Uma equipa internacional de investigadores analisou células de organismos de espécies tão distintas como vermes, amebas, ratinhos e humanos, tendo descoberto como as proteínas se encaixam para construir diferentes células e órgãos, dá conta um estudo publicado na revista “Nature”.
 
As células utilizam combinações complexas de proteínas como ferramentas para levar a cabo processos como o crescimento e a reparação celular, o transporte e a reciclagem de materiais, bem como a sinalização entre as células.
 
Neste estudo, que contou com a colaboração de sete equipas de investigação e que foi liderado pela Universidade do Texas, nos EUA, e pela Universidade de Toronto, no Canadá, os investigadores mapearam as instruções de cerca de mil complexos proteicos que são idênticos em células de espécies que representam uma ampla fatia do reino animal, o que sugere uma evolução partilhada.
 
"Basicamente, fomos capazes de construir uma espécie de diagrama que mostra como milhares de proteínas diferentes se unem para levar a cabo as suas funções no interior das células, para a maioria dos animais”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Edward Marcotte.
 
Através da utilização de técnicas laboratoriais analíticas os investigadores examinaram as proteínas celulares de diversos organismos, incluindo, levedura, ameba, anémonas-do-mar, moscas, vermes, ouriços-do-mar, rãs, ratinhos e seres humanos.
 
O mapa também detalhou a rede de interações proteína-proteína que ocorrem quando as proteínas se juntam para formar os complexos. Os investigadores foram capazes de construir uma rede que, tal como as redes sociais, fornece pistas sobre a função da proteína com base nas proteínas com que interage.
 
O estudo apurou ainda que a conformação das proteínas nos humanos era muitas vezes idêntica à encontrada noutras espécies. “Triplicámos o número de interações proteicas conhecidas para cada espécie. Assim, em todos os animais, agora podemos prever, com elevada confiança, mais de um milhão de interações proteicas”, explicou uma das autoras do estudo, Andrew Emili.
 
No caso de uma dessas interações ser interrompida ou perdida, pode conduzir ao desenvolvimento de doença. Assim, o mapa, que estará disponível para os investigadores em todo o mundo através de bases de dados de acesso livre, vai ser uma ferramenta importante para o estudo das causas de doenças como a doença de Alzheimer, doença de Parkinson e cancro.
 
Estes achados também revelaram que dezenas de milhares de interações proteicas não mudaram desde a primeira célula ancestral ter aparecido há mil milhões de anos atrás.
 
Estes achados “não só reforçam o que já sabemos sobre nossa ancestralidade evolutiva comum, como também têm implicações práticas, proporcionando a capacidade de estudar a base genética de uma grande variedade de doenças e como elas se apresentam em diferentes espécies”, conclui Edward Marcotte.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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