Investigadores alertam para casos esquecidos pelos Media

Urânio empobrecido e do «síndroma dos Balcãs» são alguns dos exemplos

30 maio 2004
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 A rapidez com que os «Media» fecharam o caso do urânio empobrecido e do «síndroma dos Balcãs» não terá permitido que se aprofundasse o estudo de um risco ainda bastante desconhecido. O caso foi esquecido, disse Ana Delicado, responsável, com Cristiana Bastos, por um estudo que avaliou a forma como foi feita a gestão política deste caso e o seu tratamento na imprensa, no decorrer de um debate sobre a análise dos riscos ambientais. O estudo de caso encontra-se inserido num trabalho desenvolvido por membros do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE) e pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, no âmbito do programa Observa, sobre «Novos riscos, tecnologia e ambiente». A investigação incluiu ainda um inquérito sobre as representações sociais de «novos riscos» e outros dois estudos sobre a gestão política da BSE e sobre a polémica da co-incineração, apresentados e debatidos ontem no auditório do ISCTE. Ao contrário destes dois últimos casos, realçou a investigadora Ana Delicado, a questão do urânio empobrecido e do chamado «síndroma dos Balcãs» durou apenas alguns meses - desde Dezembro de 2000 até ao último relatório da comissão parlamentar, apresentado em Janeiro de 2002 -, num aparente sucesso político e científico de resolução rápida. No entanto, estudos mais recentes da Royal Society britânica e da comissão parlamentar são mais cautelosos e recomendam uma maior investigação sobre o caso. O estudo da Royal Society, publicado em 2002, realçava as muitas dúvidas dos cientistas sobre os efeitos na saúde humana do urânio empobrecido e recomendava o acompanhamento médico dos veteranos da guerra do Golfo e dos Balcãs. «Transformou-se uma questão de saúde pública numa questão física», confundindo-se uma causa possível - o urânio empobrecido - com um efeito - «o síndroma dos Balcãs» - e declarando-se a «inexistência» de um problema em virtude da aparente ausência de relação directa entre ambos, comentou Paulo Granjo, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Fonte: Público

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