Investigadora portuguesa recebe galardão ibérico

Maria do Carmo Fonseca recebe Prémio DuPont

06 novembro 2002
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A investigadora portuguesa Maria do Carmo Fonseca, 43 anos, recebe em Oviedo o Prémio DuPont da Ciência 2002 pelos seus trabalhos no campo da genética molecular, tornando-se na primeira mulher distinguida com este galardão.
 

 

Trata-se da primeira vez que o Prémio DuPont da Ciência, criado em 1991 em Espanha e com uma dotação pecuniária de 30.000 euros, alarga o seu âmbito à comunidade científica portuguesa.
 

 

Professora catedrática da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, a investigadora foi distinguida pelos seus trabalhos no campo da genética molecular.
 

 

"A nossa investigação focaliza-se no modo como funcionam os genes. O objectivo é perceber os mecanismos que permitem que a informação que está no genoma seja decodificada de forma a dar origem às células e aos organismos", explicou a cientista, em declarações à Agência Lusa, aquando do anúncio do prémio.
 

 

Segundo Carmo Fonseca, "quando dominarmos o modo de funcionamento desse mecanismo saberemos identificar o que passa de errado quando há mutações ou doenças genéticas".
 

 

"As nossas investigações vão contribuir para identificar potenciais alvos de terapias, medicamentos e métodos para corrigir os defeitos genéticos", disse, sublinhando que para identificar o que está errado é necessário conhecer bem o mecanismo de funcionamento.
 

 

No entanto, em declarações à imprensa, Carmo Fonseca considerou hoje que cabe à sociedade tomar uma posição perante questões polémicas, como o uso de células embrionárias com fins de investigação ou terapêuticos, e não aos cientistas.
 

 

Maria do Carmo Fonseca dirige o Laboratório de Biologia Celular e Molecular no Centro de Investigações Biomédicas, entidade que está integrada no Instituto de Medicina Molecular criado no final de 2001 com o estatuto de Laboratório Associado (do Estado).
 

 

"Este instituto permite congregar o trabalho de cientistas básicos, como eu, e o de médicos com doentes afectados por estas patologias e que podem ir aplicando clinicamente os conhecimentos e avanços conseguidos", explicou recentemente à Lusa.
 

 

Esta foi a primeira vez que o júri responsável pela atribuição do prémio apreciou o trabalho de cientistas portugueses.
 

 

"Quisemos estender este prémio a Portugal como forma de reconhecimento do avanço da ciência neste país, bem como contribuir para o desenvolvimento das relações entre Portugal e Espanha no que diz respeito à investigação e promoção da actividade científica", referiu em Junho Pascual Sisto, presidente da empresa DuPont para Portugal e Espanha.
 

 

O Prémio, criado pelo professor Severo Ochoa, tem distinguido a comunidade científica em Espanha com o objectivo de estimular as iniciativas que, sob a forma de artigos ou trabalhos publicados, constituam um contributo para o progresso da ciência.
 

 

A DuPont, que abastece mercados globais em praticamente todos os ramos da indústria, desenvolveu ao longo dos seus 200 anos de actividade produtos que hoje são marcas registadas, como o Nylon, o Teflon ou a Lycra, entre outros.
 

 

Os trabalhos de investigação de Maria do Carmo Fonseca valerem-lhe também este ano o Prémio Pfizer 2002, galardão atribuído pela Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e uma das mais reconhecidas distinções na investigação médica em Portugal.
 

 

A cientista foi reconhecida por um trabalho que abre novas perspectivas na compreensão da Distrofia Muscular Oculofaríngea (OPMD).
 

 

A OPMD é uma doença degenerativa onde ocorre deposição de material anormal no interior das células, afectando os músculos das pálpebras, da faringe e dos braços.
 

 

Fonte: Lusa

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