Investigador português desenvolve aplicação de sensores a biochips

Método poderá ajudar no diagnóstico de doenças genéticas

14 outubro 2002
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Um investigador português desenvolveu a aplicação de sensores que detectam campos magnéticos na criação de chips biológicos que podem ser úteis, por exemplo, como forma de diagnóstico precoce de doenças genéticas.
 

 

Hugo Ferreira, 24 anos, licenciado em Engenharia Física Tecnológica pelo Instituto Superior Técnico (IST), venceu com este trabalho a primeira edição do Prémio Professor Luís Vidigal, no valor de mil contos (perto de 5.000 euros).
 

 

O Prémio representa uma homenagem póstuma a Luís Manuel Ramos da Silva Vidigal (1948-2000), pelo seu legado como cientista, pedagogo e gestor de investigação nos campos da Electrónica, Telecomunicações e Computadores no Instituto Superior Técnico (IST).
 

 

A entrega do prémio será efectuada terça-feira pelo engenheiro Mira Amaral e pelo professor Afonso Barbosa, presidente do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores (DEEC), no Salão Nobre do IST.
 

 

"Utilizei sensores que detectam campos magnéticos, do mesmo tipo dos que existem nos computadores para ler a informação contida nos discos rígidos", explicou Hugo Ferreira, em declarações à Agência Lusa.
 

 

O investigador, que actualmente se encontra a preparar o seu doutoramento no Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC), utilizou estes sensores para detectar o reconhecimento de uma biomolécula (ADN - ácido desoxirribonucleico ou uma proteína) pela sua biomolécula complementar.
 

 

"Quando as duas biomoléculas se ligam (um processo designado por hibridização) há um marcador magnético que é lido pelo sensor", explicou.
 

 

Este trabalho pode ser utilizado, por exemplo, na criação de chips biológicos para despistagem de certas doenças genéticas.
 

 

"Num chip podem ser inseridas diferentes cadeias de ADN que representem mutações de um determinado gene", exemplificou Hugo Ferreira.
 

 

Se tiverem a informação genética de um indivíduo, os cientistas podem detectar, através dos sensores, se existem algumas ligações (hibridizações) com a zona do gene mutada contida no chip e, a partir daí, aplicar medidas de prevenção.
 

 

O trabalho foi concluído em Outubro de 2001 e, no início deste ano, a equipa portuguesa entrou num consórcio europeu, que junta outros centros de investigação e uma empresa de biotecnologia alemã.
 

 

"O objectivo é fabricar um biochip de diagnóstico da fibrose quística", precisou Hugo Ferreira, salientando que, depois da fase de testes, as primeiras conclusões poderão surgir em 2003.
 

 

O prémio Professor Luís Vidigal foi instituído pelo DEEC do IST, com o apoio do Departamento de Engenharia Informática (DEI), do INESC e do INESC Inovação (INOV).
 

 

O prémio destina-se a galardoar anualmente o/os melhores alunos de qualquer licenciatura do IST, autores do melhor trabalho do final de curso cujo tema se enquadre nas áreas científicas de Engenharia Electrotécnica, Informática e Computadores.
 

 

Luís Vidigal licenciou-se em Engenharia Electrotécnica pelo IST, em 1971, tendo-se doutorado na mesma área na Universidade Carnegie-Mellon (EUA), em 1980.
 

 

Professor catedrático no IST, dirigiu o INESC e deu origem ao que é actualmente o INOV.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

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