Investigação relaciona terapia hormonal de substituição com o cancro do ovário
03 abril 2002
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As mulheres sujeitas a algumas formas de terapia hormonal de substituição têm mais probabilidades de contrair cancro do ovário, indicam os resultados de um estudo cujas conclusões são no entanto insuficientes para recomendar alterações.
 

 

No estudo, publicado na Revista do Instituto norte-americano do Cancro (Journal of the National Cancer Institute), investigadores suecos indicam que as mulheres que recorrem à terapia de substituição de estrógenos registam um aumento de 43 por cento no risco de contrair cancro do ovário, enquanto as que combinam estrógenos com progesterona sequencial têm mais 54 por cento de risco.
 

 

No entanto, os peritos envolvidos no estudo dizem que os resultados precisam de ser verificados por outros investigadores, sublinhando que defendem interpretações cuidadosas dos resultados obtidos e não recomendam alterações nas actuais práticas de prescrição da terapia hormonal de substituição.
 

 

Em números absolutos, dizem os investigadores, o aumento do risco de cancro foi ligeiro. Em cada 1.000 mulheres em terapia hormonal, haveria apenas mais dois ou três casos de cancro no ovário, dizem.
 

 

Polémica
 

 

Na Suécia, o cancro do ovário é diagnosticado em cerca de um por cento das mulheres com idade compreendida entre os 50 e os 75 anos, independentemente da utilização de terapia hormonal, indicaram os autores.
 

 

O estudo é o mais recente a levantar polémica sobre a prática comum de prescrever suplementos hormonais de estrógenos após a menopausa.
 

 

As hormonas são tomadas por milhões de mulheres para combater os afrontamentos, a osteoporose (uma desordem que torna os ossos quebradiços) e outras complicações que advêm da menopausa.
 

 

Estudos recentes desafiaram a ideia há muito tempo instituída de que os suplementos hormonais evitam as doenças de coração.
 

 

Outro trabalho relacionou a terapia hormonal a um ligeiro aumento no risco de cancro da mama.
 

 

Um estudo anterior tinha igualmente ligado as hormonas a um aumento modesto do risco de cancro do ovário.
 

 

"Estas descobertas não mudam a relação benefício/risco para a maioria das mulheres", considerou Joann E. Manson, chefe do departamento de medicina preventiva do Hospital Harvard+s Brigham and Women+s, em Boston, sobre o estudo sueco.
 

 

Segundo a investigadora, as decisões clínicas sobre a terapia hormonal de substituição devem basear-se noutros factores, tal como o controlo dos afrontamentos e a prevenção da osteoporose.
 

 

No novo estudo, oito investigadores encontraram 655 mulheres nos registos de cancro suecos com cancro epitelial do ovário e 3.899 mulheres sem a doença. As mulheres tinham idades compreendidas entre os 50 e os 74 anos.
 

 

Os investigadores enviaram formulários às mulheres com perguntas sobre a sua história de uso da terapia hormonal e outros factores que poderiam afectar o seu risco de cancro do ovário.
 

 

O estudo foi conduzido por Tomas Riman, do departamento de obstetrícia e ginecologia do Hospital Falu, na Suécia.
 

 

 

Fonte: Lusa

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