Investigação: Químico poderá resolver o flagelo da obesidade
20 fevereiro 2002
  |  Partilhar:

 

 

Cientistas produziram um composto químico que reduz o apetite em ratos e causa uma perda de peso semelhante à conseguida com dieta, dando mais um passo na luta contra a obesidade, epidemia que já afecta também países subdesenvolvidos.
 

 

O patologista e bioquímico Frank Kihajda, da equipa de investigadores da Universidade John Hopkins, alertou contudo que não se trata da descoberta de "um medicamento fabuloso" para perder peso".
 

 

"O que conseguimos com o composto C75 foi uma forma de influenciar a zona do cérebro que o corpo usa naturalmente para a regulação do apetite, pelos menos em ratos", acrescentou.
 

 

Mais de metade (cerca de 61 por cento) da população dos Estados Unidos tem excesso de peso ou é obesa, existindo uma grande procura de dietas e medicamentos para o problema.
 

 

Os cientistas esclareceram que serão necessários anos antes que o C75 possa ser experimentado em pessoas.
 

 

A substância, injectável e aparentemente não tóxica para os ratos, reduz ou elimina o interesse dos animais pela comida em cerca de 20 minutos.
 

 

Segundo o protocolo experimental, o efeito do C75 desaparece poucos dias depois da injecção, e os ratos retomam os seus hábitos alimentares.
 

 

A obesidade entre os seres humanos, uma epidemia silenciosa nos países desenvolvidos, começa a ameaçar também os países pobres, segundo as conclusões de investigadores presentes no último encontro anual da Sociedade norte-americana para o Avanço das Ciências (AAAS - sigla em inglês), que decorreu entre sexta e terça-feira em Boston, Massachusetts.
 

 

Os cientistas participantes afirmaram que o aparecimento da obesidade no Terceiro Mundo não significa que esses países tenham deixado de ser pobres, mas que estão a importar modelos culturais e alimentares estranhos aos seus costumes.
 

 

Stanley Ulijaszek, investigador da Universidade de Oxford, defendeu que o estilo de vida "McDonald", que chega dos EUA, Austrália e Nova Zelândia aos países do Terceiro Mundo, pode ter uma influência importante no aparecimento do problema.
 

 

Por exemplo, mais de metade das mulheres mexicanas em idade reprodutiva sofrem de obesidade, afirmou o director do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Jaime Sepúlveda.
 

 

Sepúlveda assegurou que o número de mulheres obesas cresceu cerca de 50 por cento nos últimos 11 anos no México, o que representa um sério problema de saúde para o país, e acrescentou que as mexicanas gozam da "duvidosa honra" de serem mais gordas que as norte-americanas.
 

 

Segundo o perito, o peso médio das mulheres mexicanas é de 60,1 quilos, para uma estatura mediana de 1,52 metros.
 

 

A vida sedentária, o tipo de alimentação das sociedades mais avançadas e outros factores culturais, além da predisposição genética, conduzem ao excesso de peso e à obesidade, dizem os especialistas.
 

 

Marquisa La Velle, da Universidade de Rhode Island, defendeu que "a epidemia da obesidade é uma resposta a amplas mudanças económicas e sociais, estilos de vida mais sedentários, dietas mais ricas em calorias, uma diminuição do exercício e um aumento do tempo em frente da televisão".
 

 

Segundo relatórios recentes das autoridades de saúde norte- americanas, dentro em breve a obesidade vai causar mais mortes que o hábito de fumar, considerado o factor de risco mais grave entre os que podem ser prevenidos.
 

 

Uma investigação publicada na edição de Janeiro da revista "Annals of Internal Medicine" demonstrou que a obesidade aumenta também o risco de sofrer de diabetes.
 

 

A chamada "dieta ocidental", alicerçada em carnes vermelhas, produtos lácteos de alto conteúdo gordo e produtos à base de farinha refinada, é a causa de um aumento de 60 por cento do perigo de sofrer de diabetes entre os homens com mais de 40 anos.
 

 

Pelo contrário, o estudo assinala que o consumo de frutas, verduras, grãos integrais, peixe e aves reduz a incidência média da doença em 20 por cento.
 

 

Assim o verificou em finais de 2001 Nicolas Settler, perito em nutrição pediátrica no Hospital Infantil de Filadélfia, na Pensilvânia, observando que muitas crianças duplicam o seu peso entre os quatro e os seis primeiros meses, o que pode determinar um sobrepeso posterior.
 

 

Settler afirmou, além disso, que "um ritmo rápido de aumento de peso poderá estar relacionado também com o desenvolvimento posterior de doenças cardiovasculares".
 

 

Fonte: Lusa

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.