Investigação lança novas luzes sobre disseminação do cancro

Estudo publicado no “Nature Communications”

04 janeiro 2016
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Uma investigação levada a cabo por cientistas do Brigham Women’s Hospital (BWH), nos EUA, e publicada no “Nature Communications” revela novos dados sobre a disseminação do cancro.
 
O cancro dissemina-se pelo organismo através de um processo denominado metastização e que é responsável por 90% das mortes associadas ao cancro. 
 
“As metástases permanecem como a derradeira fronteira na investigação para a cura do cancro”, refere, em comunicado de imprensa, uma das autoras do estudo, Shiladitya Sengupta.
 
Os investigadores construíram em laboratório uma matriz tridimensional de um tumor, com células endoteliais e células de cancro da mama metastático. Através deste modelo, os cientistas observaram que, em vez de as células metastizadas se aglomerarem para formar uma esfera, estas disseminaram-se através dos vasos sanguíneos. Os investigadores usaram um microscópio eletrónico de varrimento e detetaram então tubos finos e compridos que se estendiam para fora das células, constituindo pontes em nanoescala que ligavam as células cancerígenas ao tecido saudável. 
 
Além disso, descobriram ainda que os perfis moleculares de algumas células endoteliais normais tinham sido alterados. Os cientistas colocaram a hipótese de microARN serem transferidos através das pontes para as células endoteliais. Através de uma análise mais aprofundada, os cientistas descobriram que as células endoteliais possuíam dois microARN que já tinham sido implicados na metástase.
 
Os investigadores utilizaram de seguida modelos animais para testar compostos químicos que evitassem a formação de nanopontes e impedissem a comunicação entre as células tumorais e o endotélio. Através desta experiência, os cientistas descobriram que determinados agentes farmacológicos, como o docetaxel, que é utilizado no tratamento do cancro da mama metastático, reduziam a formação de nanopontes entre as células. Os ratinhos que receberam um tratamento precoce com estes agentes farmacológicos apresentaram menos metástases.
 
“O nosso estudo abre novas avenidas para exploração e sugere que estas pontes entre membranas em nanoescala podem representar uma nova terapêutica na gestão do cancro da mama metastático”, adianta Sengupta.
 
No futuro, os cientistas pretendem verificar se os inibidores ATPase – fármacos estudados para o tratamento da sida – poderão ser também eficazes na prevenção da formação de pontes e consequente inibição de metástases.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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