Investigação genética pode salvar milhões de vidas
01 maio 2002
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A investigação genética pode abrir portas para salvar milhões de vidas nos países em desenvolvimento, tendo potencial para vencer doenças mortais como a sida, destaca um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).
 

 

Segundo a OMS, a investigação genética poderá ter no futuro um papel decisivo na luta contra doenças como o paludismo, a tuberculose e a sida, principalmente nos países em desenvolvimento.
 

 

"A investigação genética, se for bem conduzida, poderá mudar completamente os cuidados de saúde", considerou a Directora- geral da OMS, Gro Harlem Brundtland.
 

 

"Poderá, nomeadamente, permitir aos países em desenvolvimento queimar etapas no desenvolvimento médico e fornecer aos seus cidadãos cuidados sensivelmente melhores e métodos modernos a curto prazo", acrescentou.
 

 

O relatório encoraja o apoio vigoroso à recomendação da Comissão de macroeconomia e saúde, que defende a criação de um fundo mundial para a investigação no domínio da saúde, uma nova organização central de pesquisa e desenvolvimento dotada inicialmente com 1,7 mil milhões de euros (340,8 milhões de contos).
 

 

Sida, tuberculose e paludismo
 

 

Para os autores do documento, outros 1,7 mil milhões de euros deveriam ser colocados à disposição dos centros que se dedicam ao estudo de novas vacinas e medicamentos contra o HIV/sida, a tuberculose e o paludismo.
 

 

"Trata-se do primeiro relatório que coloca a investigação genética numa perspectiva mundial", sublinhou o principal autor do estudo, David Weatherall, do Instituto Weatherall de medicina molecular da Universidade de Oxford.
 

 

"O relatório ilustra como a comunidade mundial poderá utilizar a genética para superar doenças infecciosas como o paludismo, a tuberculose e a sida, que fazem ainda tantas vítimas nos países em desenvolvimento, e depois doenças que paralisam os sistemas de saúde em todos os países, como as cardiopatias, a diabetes e o cancro", indicou.
 

 

"Os países em desenvolvimento arriscam-se a não usufruir dos benefícios da investigação genética, tal como se mantiveram à margem da revolução informática dos anos 80 e 90", disse, por seu lado, Dan Brock da Universidade Brown, outro dos autores do estudo.
 

 

"A genética e as tecnologias próximas deverão servir para reduzir as desigualdades existentes em todo o mundo ao nível da saúde, que são contrárias à ética. O relatório é um primeiro passo para a realização deste objectivo", disse.
 

 

As mudanças nas práticas médicas não serão, no entanto, imediatas. Mas, "a longo prazo, as possibilidades são tais que os países em desenvolvimento, como os países industrializados, devem- se preparar na perspectiva desta nova tecnologia e estudar atentamente todo o seu potencial", notou.
 

 

Ética na investigação
 

O relatório, intitulado Genética e Saúde Mundial (Genomics and World Health), que cobre um vasto leque de temas, desde a utilização de testes genéticos para escolher o sexo dos filhos até à necessidade de garantir que os países pobres beneficiem também dos futuros progressos médicos, é uma importante contribuição para o debate sobre ética e investigação genética.
 

 

O papel que deverá ser desempenhado pela ética na investigação genética e na medicina genética foram analisados pela primeira vez neste relatório.
 

 

A OMS alerta para os perigos associados à possível constituição de bases de dados genéticos em grande escala e para o surgimento de novas questões éticas.
 

 

Os autores descrevem a polémica que suscita a oportunidade de criar bases de dados deste tipo e as várias ambiguidades relacionadas com o acesso a elas e a sua segurança.
 

 

As inquietações têm a ver com os potenciais perigos que estas podem representar para as pessoas, os grupos e as comunidades.
 

 

Um outro problema ético está ligado às decisões que as famílias podem tomar como consequência dos resultados das investigações genéticas.
 

 

"Impedindo os pais portadores de uma mesma anomalia genética de procriar, evitando filhos também afectados, podemos estar a falsear o mecanismo da evolução, e a redução natural da frequência de genes defeituosos numa população", disse.
 

 

O documento, com 241 páginas, foi redigido por uma equipa de 14 médicos, investigadores e especialistas em ética provenientes de países industrializados e de países em desenvolvimento, sob a coordenação de Tikki Pang.
 

 

Fonte: Lusa
 

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